O primeiro Festival de Bolo Martha Rocha encerrou sua estreia em Curitiba com números expressivos. Realizado entre os dias 4 e 15 de março, o evento reuniu 22 confeitarias e comercializou cerca de duas toneladas e meia do doce, vendido a preço único de R$ 19,50 por fatia. A iniciativa partiu da plataforma Curitiba Honesta, responsável por alguns dos principais festivais gastronômicos da cidade.
Mais do que um circuito de degustação, a proposta do festival foi conquistar novos fãs para o bolo Martha Rocha, valorizando sua história e incentivando a produção artesanal. O resultado foi além das expectativas: filas nas confeitarias, aumento significativo nas vendas e ampla repercussão espontânea na mídia local e nacional.
“O festival surpreendeu. Em 14 anos realizando eventos gastronômicos (já foram 62 edições), mas o Martha Rocha tomou conta da cidade. Tivemos destaque em todas as TVs e portais de Curitiba e também em veículos de São Paulo, Rio, Minas, Brasília e Porto Alegre”, afirma Sergio Medeiros, editor da Curitiba Honesta e idealizador do evento.
Segundo ele, o aspecto mais marcante foi a resposta emocional do público. “Muitas pessoas comentavam como o bolo remetia a reuniões de família, a celebrações. Curitibanos que hoje moram fora falavam da saudade desse sabor. As vendas superaram nossas expectativas, mas o principal foi resgatar esse ícone local”, diz. A organização já articula, inclusive, os próximos passos para pleitear a Indicação Geográfica do doce.
Vendas acima das expectativas
O movimento nas confeitarias participantes reforça o impacto da ação. Para Cris Miara, da Confeitaria Brioche, o festival trouxe não apenas volume, mas também engajamento. “Foi um sucesso. As pessoas vinham comprar e acabavam conversando sobre a história da Martha Rocha. Tivemos muitos clientes novos nas duas lojas”, relata.
Na Chiffon Cake, a surpresa veio pela intensidade da procura. “Nem imaginávamos tanta demanda. Muita gente fazia um verdadeiro roteiro, passando por diferentes confeitarias para experimentar versões do bolo”, conta Yumi Fujikawa.
Os números também impressionaram estabelecimentos tradicionais. Na Padaria América, a produção saltou de dois para 22 bolos por dia, totalizando uma tonelada vendida durante o período. “Foi uma loucura”, resume Eduardo Engelhardt.
Na Só Quindins, o doce já era o principal produto, mas ganhou novo fôlego com o festival. “Escalou de forma absurda. Vendemos 700 quilos no período. Já estamos ansiosos pela próxima edição”, afirma Allan Garcia.
A demanda inesperada também levou a ajustes operacionais. Na Padaria Aquarius, a produção precisou ser multiplicada por dez e as vendas atingiram 400 kg do bolo. “Como funcionamos 24 horas, tivemos um movimento inédito de clientes vindo comer Martha Rocha de madrugada”, conta a gerente Suzana Silva.
O festival acontece em um momento simbólico: em fevereiro de 2026, o bolo Martha Rocha foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná. A estreia do evento, portanto, não apenas celebrou o título recente, como consolidou o doce como um dos grandes símbolos da identidade gastronômica curitibana.