Empreendedorismo

62% das empresas consideram mudanças em joint ventures por receio de riscos geopolíticos, aponta pesquisa do BCG

São Paulo, abril de 2024 – Um novo estudo do Boston Consulting Group (BCG) aponta que a volatilidade geopolítica tem levado as empresas a repensarem seus investimentos em joint ventures (JVs). A pesquisa Steering Joint Ventures Through Geopolitical Storms, que entrevistou 159 executivos de companhias que utilizam esse tipo de modelo estratégico em todo o mundo, revela que as preocupações com riscos globais – como Brexit, guerras e revoltas políticas, oscilações climáticas e a pandemia da covid-19 – estão levando muitas organizações a considerarem mudanças em suas parcerias. Entre os entrevistados, cerca de 33% estão avaliando a possibilidade de transferir suas joint ventures para outros lugares, 16% pretendem renegociar termos e 13% irão abandoná-las.

Na América Latina, o levantamento mostra que um terço das JVs (32%) estão expostas a tensões geopolíticas, fazendo com que as corporações reflitam sobre alterações na forma de conduzir seus negócios, sobretudo com a substituição de suas parcerias atuais por novas na América do Norte, Europa e outras regiões da própria América Latina.

De acordo com a análise do BCG, os parceiros de joint ventures têm buscado formas de assegurar seus interesses diante do cenário incerto. Além dos contratos legais, eles estão adotando práticas de restrição de acesso à propriedade intelectual e matérias-primas essenciais, conhecidas como ‘dual hatting’, além de estabelecer relações diretas com outros clientes e fornecedores. Inclusive, de acordo com a consultoria, 44% dos executivos entrevistados também consideram importante instituir proteções não legais e 32% sentem que, ao longo da última década, essa segurança tornou-se ainda mais essencial.

Contudo, os entrevistados demonstraram preocupação para lidar com os desafios futuros. Apenas 23% deles se consideraram bem-preparados, enquanto 70% afirmam estar apenas um pouco preparados e 8% não se sentem nada preparados para enfrentar os cenários geopolíticos que possam surgir.

Por essa razão, o BCG recomenda cinco práticas para que empresas com JVs tenham sucesso, mesmo no atual paradigma internacional:

  • Faça um teste de resistência à sua estratégia de JV levando em consideração o impacto de possíveis mudanças geopolíticas. Isso envolve a realização de simulações e planejamento de cenários para diferentes resultados, a fim de identificar estratégias que possam ser implementadas caso o ambiente geopolítico mude. Essa análise de cenário é crucial tanto para parcerias existentes quanto para novos empreendimentos.
  • Ao procurar fazer negócios em novas geografias, reconheça que nem todas as JVs transfronteiriças são iguais. Os parceiros devem estar atentos aos diferentes aspectos sociais, políticos, jurídicos e contábeis de cada país em que desejam fazer negócios. Essas distinções culturais podem afetar as negociações e ter um impacto duradouro na aliança, portanto, é essencial estar ciente dessas particularidades.
  • Crie uma estrutura de governança robusta com proteções não legais e caminhos de escalada suficientes. Tradicionalmente, essa estrutura é baseada em mecanismos de proteção legal, como direitos de voto contratuais e processos formais de resolução de litígios. No entanto, é cada vez mais essencial fortalecer a governança por meio de mecanismos de proteção não legais. Essa abordagem não se aplica apenas a novas JVs, mas também pode ser implementada em parcerias existentes, aproveitando ao máximo as oportunidades de “dual hatting”.
  • Estabeleça relacionamentos pessoais profundos. Em um contexto em que os parceiros da JV precisam mitigar riscos relacionados à intervenção governamental, mudanças regulatórias e interesses nacionais, as relações individuais se tornam ainda mais importantes. Portanto, é crucial que os estrangeiros desenvolvam relacionamentos estreitos com tomadores de decisão políticos, fornecedores, clientes e suas contrapartes locais desde o início e continuem a cultivar essas relações à medida que o ambiente local evolui.
  • Certifique-se de que haja um plano de saída claro definido no acordo. Em um mundo incerto e com muitas JVs sem uma duração pré-determinada, é crucial definir antecipadamente um mecanismo de saída para ambas as partes. A falta de um plano adequado pode deixar um parceiro estrangeiro em circunstâncias extremas, sem uma saída viável. Portanto, é fundamental estabelecer mecanismos de fixação de preços, direitos de compra ou vetos, a fim de garantir que ambas as partes sejam protegidas em caso de emergência.

O estudo completo está disponível, em inglês, no site do BCG.

Sobre o Boston Consulting Group 

O Boston Consulting Group atua em parceria com lideranças empresariais e sociais para ajudá-las a enfrentar seus desafios mais importantes e capturar as melhores oportunidades. Fundado em 1963, o BCG é pioneiro em estratégia de negócios. Trabalhamos lado a lado com nossos clientes por meio de uma abordagem transformadora que abrange os interesses das partes envolvidas — capacitando organizações para crescer, construir vantagens competitivas mais sustentáveis e gerar impacto positivo na sociedade. Nossas equipes globais são pautadas pela diversidade e têm profundo conhecimento técnico-funcional em diferentes indústrias, além de múltiplas perspectivas que estimulam a mudança. O BCG oferece soluções por meio de consultoria estratégica de ponta, aliada à tecnologia e design, assim como corporate e digital ventures. Adotamos um modelo de trabalho colaborativo único em toda a empresa e em todos os níveis da organização dos clientes, impulsionados pelo objetivo de ajudá-los a prosperar para tornar o mundo um lugar melhor. Para obter mais informações, acesse o site do BCG.

Redação JBA Notícias

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