Curitiba, junho de 2026 | A artista japonesa Chiharu Shiota, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea internacional, ocupa o Olho do Museu Oscar Niemeyer na 16ª Bienal Internacional de Curitiba. Em um tempo marcado por transições frenéticas e instabilidade, a Bienal escolhe refletir “entre” o humano e a tecnologia, o natural e o artificial. Com o tema LIMIARES, o evento já está aberto ao público, transformando museus, galerias, espaços expositivos e locais públicos em um grande circuito de arte contemporânea.
Consolidada como uma das principais plataformas artísticas da América Latina, a Bienal reafirma, nesta edição, sua vocação para o diálogo internacional, a experimentação e a ocupação da cidade pela arte. Em um momento de descentralização do circuito cultural brasileiro e fortalecimento de novos polos criativos fora do eixo Rio–São Paulo, Curitiba se posiciona como espaço estratégico para a circulação da produção contemporânea global.
O epicentro expositivo da Bienal acontece no Museu Oscar Niemeyer, parceiro histórico da mostra e espaço indissociável de sua trajetória. Nesta edição, a Bienal ocupa o Olho, a Torre, entre salas e cinco salas expositivas, aprofundando uma relação construída ao longo de mais de três décadas e marcada por exposições que se tornaram referências na memória do público. Ao longo dessa trajetória, o MON recebeu momentos emblemáticos da Bienal, como a performance de Marina Abramović em 2009; a grande exposição de arte cinética de Julio Le Parc no Olho, em 2015; a mostra coletiva dedicada à arte contemporânea chinesa em 2017; e a apresentação da icônica escultura “Spider”, da franco-americana Louise Bourgeois, em 2019.
“Poéticas da Memória e da Matéria” é o tema de um dos núcleos expositivos com curadoria da brasileira Tereza de Arruda, que ocupa o Olho, a Torre e os espaços Araucária 1 e Araucária 2 do MON. O eixo central da exposição é a obra inédita no Paraná da artista japonesa contemporânea Chiharu Shiota, intitulada “Chiharu Shiota: O Espaço Entre Nós”
Reconhecida mundialmente por suas instalações imersivas de grande escala construídas a partir de fios, objetos cotidianos e uma arquitetura emocional, Chiharu Shiota apresenta em Curitiba quatro obras inéditas e site-specific concebidas especialmente para a Bienal: “The Space Between Us”, “Shifting Horizons”, “Remembering the Forgotten” e “Me Somewhere Else”.
“No horizonte conceitual de LIMIARES, a obra de Chiharu Shiota opera como um campo de transição entre presença e vestígio, materialidade e imaginação. Suas instalações criam atmosferas em que o visitante atravessa zonas de instabilidade sensorial e emocional, fazendo do limiar uma experiência sensível”, afirma a curadora do Núcleo “Poéticas da Memória e da Matéria”, Tereza de Arruda.

Segundo a curadora, as obras dialogam diretamente com a arquitetura do MON e investigam questões centrais da trajetória da artista, como memória, pertencimento, deslocamento e vulnerabilidade. “Objetos aparentemente banais tornam-se testemunhos silenciosos de experiências humanas, carregando vestígios de vidas e seus deslocamentos”, completa.
Em diálogo com a poética de Shiota, a Torre do MON recebe artistas brasileiros cujas obras investigam memória, matéria e experiência sensível por diferentes caminhos. Participam deste núcleo Iêda Jardim, André Azevedo, Evandro Soares, James Kudo, Luiz Mauro e Marina Camargo.
As obras propõem reflexões sobre ancestralidade, território, repetição, deslocamento, cartografia, corpo e identidade, compreendendo o limiar como experiência corporal e emocional, onde memória e matéria se entrelaçam em contínuos processos de transformação.
A presença de Chiharu Shiota também se expande para além do espaço expositivo. Para compor a instalação “The Space Between Us”, a Bienal realizou uma chamada pública convidando pessoas a enviarem cartas, desenhos, colagens e relatos pessoais que pudessem integrar a obra coletiva apresentada no MON.
“Cada um de nós carrega um universo dentro de si, que raramente é visível aos outros. A arte pode abrir um espaço onde expressamos aquilo que geralmente permanece oculto”, afirma a artista. A relação entre memória, intimidade e experiência coletiva atravessa toda a prática de Shiota. “Meu trabalho sempre parte de um sentimento pessoal, mas quero que ele se mova do ‘eu’ para o ‘nós’. Ao reunir milhares de objetos e histórias de muitas pessoas, a obra cria conexões humanas universais”, explica.
Radicada em Berlim desde os anos 1990, Shiota revela também uma conexão afetiva com o Brasil. “Gosto muito do trabalho de Ernesto Neto e Tomie Ohtake. De certa forma, me identifico com a história de Tomie, que deixou o Japão e construiu sua trajetória em outro país, assim como eu fiz na Alemanha”, comenta.
A artista afirma ainda estar impressionada com a arquitetura do MON. “Não é um espaço fácil de trabalhar por causa de suas curvas, mas acredito que isso cria uma energia muito especial para a instalação.”
Além do circuito expositivo que abrange outros museus e espaços culturais, a Bienal também amplia sua presença para o cotidiano urbano. Até 15 de novembro, obras de videoarte com curadoria de Flavio de Carvalho serão exibidas nas TVs instaladas nos ônibus do sistema integrado de Curitiba. A Bienal ainda promoverá ações de realidade aumentada em estações-tubo e terminais da cidade, permitindo que o público interaja digitalmente com obras da mostra em seus deslocamentos diários.
Com ampla programação educativa, ações urbanas, artistas internacionais e ocupação de espaços públicos e culturais, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba reafirma seu papel como um dos grandes acontecimentos artísticos do continente – e como uma plataforma capaz de transformar a cidade em experiência coletiva e contemporânea.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba é apresentada pela Petrobras, pelo Ministério da Cultura, Governo Federal – Do lado do povo brasileiro e Paraná Festival – Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) – Governo do Paraná, com apoio do MON, MAC-PR e Prefeitura de Curitiba. Acompanhe pelos sites www.16bienaldecuritiba.org, www.curitibaartweek.com e pelas redes sociais no Instagram @bienaldecuritiba @cubic.bienal e @curitibaartweek, no Facebook @bienaldecuritiba, no Linkedin @bienaldecuritiba e no Tik Tok @bienaldecuritiba
SOBRE A BIENAL DE CURITIBA I A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba é um dos principais eventos de arte da América Latina e uma plataforma de referência para a produção e o pensamento contemporâneo. Realizada desde 1993, ocupa museus, galerias e espaços públicos com uma programação que reúne exposições, performances, instalações e ações educativas. Com forte vocação para o diálogo internacional, a Bienal conecta artistas de diferentes países e promove encontros entre produção local e global. Ao longo de sua trajetória, já recebeu nomes como Marina Abramović, Julio Le Parc, Louise Bourgeois e Cildo Meireles. Além do circuito expositivo, destaca-se pelo impacto cultural e educativo, com programas de formação e ampliação de acesso à arte. Em sua última edição presencial, reuniu mais de um milhão de visitantes, consolidando Curitiba como um polo relevante no circuito internacional da arte contemporânea.
SERVIÇO | 16ª Bienal Internacional de Curitiba — LIMIARES
Visitação: até 15 de novembro de 2026
Núcleo expositivo “Poéticas da Memória e da Matéria”
Local Museu Oscar Niemeyer – Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico – Curitiba/PR (consulte horários e ingressos em museu oscar niemeyer.org.br)
Curadoria: Tereza de Arruda
Artistas: Chiharu Shiota, Iêda Jardim, André Azevedo, Evandro Soares, James Kudo, Luiz Mauro e Marina Camargo.
Espaços: Olho, Araucária 1, Araucária 2 e Torre do MON



