Empreendedorismo

A febre das vilas gastronômicas em Curitiba: por que tantas fecharam e o que faz algumas prosperarem?

Nos últimos anos, Curitiba viveu uma verdadeira febre das vilas gastronômicas — espaços que reúnem diversas operações de comida e bebida em um ambiente coletivo, descontraído e atrativo. Inspiradas por modelos internacionais e impulsionadas pelo comportamento de consumo pós-pandemia, essas vilas surgiram como alternativas ao formato tradicional de restaurante, apostando em diversidade, experiência e praticidade.

O formato ganhou força especialmente a partir de 2016, com a inauguração de espaços como o Mercado Sal (no bairro Portão), o Fresh Live Market (no Batel) e a Vila Urbana (no Centro). A proposta caiu no gosto do público curitibano e se multiplicou rapidamente. Em 2018, já havia pelo menos 20 vilas gastronômicas na capital, com novas sendo planejadas para os anos seguintes.

No entanto, o que começou como tendência, em muitos casos não se sustentou.

Com o tempo, ficou evidente que nem todos os empreendimentos estavam preparados para a realidade do negócio.

Por que tantas vilas fecharam?

O modelo parecia promissor: custos divididos, mix variado de operações, espaços ao ar livre, e um apelo visual perfeito para as redes sociais. Mas a prática mostrou que isso não era suficiente. Muitos empreendimentos não resistiram aos desafios de gestão, fluxo e posicionamento.

Entre os principais fatores que explicam o fechamento de várias vilas em Curitiba, estão:

  • Falta de gestão centralizada e profissional;
  • Curadoria fraca ou repetitiva das operações gastronômicas;
  • Baixo fluxo em dias úteis, inviabilizando o modelo para vários lojistas;
  • Conflitos entre operadores e instabilidade das marcas presentes;
  • Altos custos operacionais, especialmente com infraestrutura e aluguel;
  • E um ponto-chave: ausência de diferenciação e estratégia de longo prazo.

Em outras palavras: não basta abrir um espaço bonito com food trucks e luzes de gambiarra — é preciso ter gestão, planejamento, identidade e experiência de verdade.

Quem sobreviveu (e por quê)?

Apesar da alta rotatividade no setor, algumas vilas gastronômicas se consolidaram com sucesso e seguem em crescimento. Um dos maiores cases de Curitiba é o SOUQ Curitiba, inaugurado em 2018.

Com mais de 25 operações gastronômicas, o SOUQ se diferencia por ter investido em:

  • Qualidade e diversidade no mix de marcas;
  • Programação contínua de música ao vivo e eventos temáticos, que fidelizam o público;
  • Ambiente completo, seguro e acolhedor, com espaço kids, área pet-friendly e estacionamento próprio com mais de 140 vagas;
  • E o mais importante: uma gestão profissional, focada em experiência, segurança e constância.

O SOUQ entendeu que o consumidor busca mais do que comida — ele busca conforto, vivência e conexão.

Tendência ou maturidade?

A febre das vilas gastronômicas deu lugar à maturidade.

O que antes era novidade, hoje exige profissionalismo, estratégia e solidez. Os negócios que prosperam são os que tratam seus espaços como marcas completas — com propósito, identidade, comunicação forte e foco no cliente.

Para quem pretende empreender nesse setor, fica o alerta: vilas gastronômicas ainda têm espaço — mas só sobrevivem como negócio real, e não como tendência passageira.

Redação JBA Notícias

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