O evento de premiação incluiu palestras sobre saneamento básico, coleta seletiva, os principais inimigos da rede de esgoto, balneabilidade e os impactos do descarte inadequado de resíduos. Divulgação.
Tudo começou com um pedido simples: não jogue o óleo na pia. Este desafio mobilizou 200 alunos da Escola Municipal Máximo Jamur, em Guaratuba, que convenceram pais, avós, vizinhos e amigos a destinar o óleo de cozinha usado no ponto de coleta do colégio durante 63 dias. O resultado: 2.089,5 litros de óleo arrecadados, quantidade que deixou de contaminar aproximadamente 52,2 milhões de litros de água. A estimativa considera o cálculo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), segundo a qual um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. Na prática, a mobilização preservou um volume de água suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 20 mil habitantes por duas semanas.
A campanha foi realizada entre os dias 10 de abril e 11 de junho e transformou os estudantes em multiplicadores de boas práticas dentro de casa e na comunidade. Os alunos que mais contribuíram receberam o título de “Herói da Natureza” e foram premiados pelo desempenho na campanha.
Os quatro primeiros que mais arrecadaram foram o Théo, do 2º ano, com 322 litros; Joaquim, também do 2º ano, com 305,5 litros; Henrique, do 4º ano, com 290 litros; e Gabrielly, do Infantil 5, com 231 litros. Juntos, eles arrecadaram mais de 1,1 mil litros de óleo.
Para Raquel de Souza Coelho, a mãe de Théo, o projeto engajou toda a família e amigos. “A campanha é muito bacana porque conscientiza as pessoas sobre a destinação correta do óleo de cozinha. A gente foi buscando óleo em vários lugares. Minha família é de Santa Catarina, então conseguimos com parentes de lá, com familiares aqui de Curitiba e até os meus funcionários entraram na brincadeira e começaram a guardar óleo para ajudar o Théo. Foi uma mobilização de todo mundo”, conta.
A iniciativa faz parte do projeto Corrida De Olho no Óleo, promovido pela Ambiental Paraná, empresa responsável pela gestão de esgoto em 52 cidades do estado, em Parceria Público-Privada com a Sanepar. Para Cleverson França, responsável pela área socioambiental da empresa, o projeto superou todas as expectativas. “Sabíamos que os alunos estavam engajados, mas o resultado e a quantidade de óleo arrecadada foram muito além do esperado. Ver estudantes envolvendo todos ao seu redor mostra que a sustentabilidade é possível e começa com pequenas atitudes”, destaca.
Além da arrecadação de óleo, a Ambiental Paraná promoveu um dia de atividades de educação ambiental com os estudantes. A programação incluiu palestras sobre saneamento básico, coleta seletiva, os principais inimigos da rede de esgoto, balneabilidade e os impactos do descarte inadequado de resíduos no meio ambiente. Como parte da iniciativa, a escola também recebeu lixeiras para incentivar a separação correta dos resíduos e fortalecer as práticas de sustentabilidade na rotina dos alunos.
Para Adriele Souza Santos, diretora da Escola Municipal Máximo Jamur, a campanha superou as expectativas ao envolver toda a comunidade. Os próprios funcionários da escola também entraram na corrente do bem e participaram de uma competição interna de arrecadação. “Ficamos muito felizes com o projeto, que ultrapassou os muros da escola e até os limites de Guaratuba. Foi muito bonito ver toda a comunidade envolvida em uma causa tão importante”, destaca.
Sustentabilidade – Além da coleta, os estudantes participaram de atividades de educação ambiental que reforçaram a importância do descarte correto do óleo de cozinha. A campanha também destacou os impactos desse resíduo quando lançado na rede de esgoto, como a formação de bloqueios, entupimentos e extravasamentos, além da contaminação do solo e dos recursos hídricos.
Para Priscila Marchini, Diretora-presidente da Ambiental Paraná, a iniciativa reforça um ciclo sustentável completo. “É um ensinamento fundamental para repassar às crianças, que são multiplicadoras de informação. Com este projeto, mostramos que o óleo coletado de maneira adequada deixa de poluir o meio ambiente e pode se tornar um novo produto”, afirma.
Problema Ambiental – Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a cada quatro litros de óleo consumidos no país, um é descartado inadequadamente. Isso representa mais de 700 milhões de litros ao ano lançados no meio ambiente, impactando o solo, contaminando a água e obstruindo redes de esgoto devido à solidificação da gordura.
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