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O IPCA foi de 0,28% em novembro, acumulando alta de 4,04% no ano e, nos últimos 12 meses, de 4,68%, abaixo dos 4,82% observados em outubro. Apesar do arrefecimento da inflação outros temas atrapalham o avanço na magnitude do corte de juros no Brasil
Na variação mensal, os preços de seis dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em novembro. A maior variação (0,63%) e o maior impacto (0,13 p.p.) vieram de Alimentação e bebidas. Os grupos Habitação (0,48%) e Transportes (0,27%) também influenciaram a alta.
A alimentação no domicílio subiu 0,75% em novembro, influenciada pelas altas da cebola (26,59%), batata-inglesa (8,83%), arroz (3,63%) e carnes (1,37%). Esse grupo tem peso de 16% no IPCA, portanto, as quedas nas variações mensais de preços desse grupo até setembro foram importantes para o desempenho brando do índice de inflação. Em 12 meses, o grupo ainda sustenta deflação.
Os analistas estão de olho na possibilidade de alta nos preços agropecuários na virada do ano devido ao fenômeno climático El Niño. Os meteorologistas da agência americana alertam que o fenômeno pode afetar as condições climáticas no Brasil, causando chuvas acima da média no Nordeste e Sul do país, e secas no Centro-Oeste e Sudeste.
No grupo Habitação (0,48%), os preços da energia elétrica residencial (1,07%) subiram, por conta dos reajustes em quatro áreas: Goiânia (6,13%); Brasília (4,02%); São Paulo (2,80%), de 6,79% em uma das concessionárias pesquisadas; e Porto Alegre (0,91%), de 1,41% em uma das concessionárias pesquisadas.
Apesar dessas observações de alta, o qualitativo do IPCA segue positivo, com média dos núcleos abaixo do esperado. Ou seja, grupos de preços que são acompanhados atentamente pelo Banco Central – que tem menos volatilidade e estão atrelados ao desempenho da atividade econômica – parecem compatíveis com a convergência para meta de inflação. Entretanto, isso não significa que o Banco Central irá acelerar o ritmo de corte de juros nesse momento.
Nos últimos meses, a elevação dos juros norte-americanos e a incerteza quanto à meta fiscal para 2024 embalaram o tom de cautela nos documentos do Banco Central sobre a perspectiva da Selic. Embora as projeções para IPCA estejam ao redor de 4,5% em 2023 e 3,9% em 2024, um cenário favorável, muitos economistas passaram a projetar que a Selic não teria condições de cair para o patamar abaixo de 10% no próximo ano. No Focus as projeções para Selic 2024 ainda estão em 9,25%.
O cenário inflacionário e as condições para manutenção do corte de juros precisam ser acompanhados atentamente, dia após dia, sendo difícil vislumbrar os juros ao fim do ciclo.
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