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APRE e Secretaria da Fazenda estudam medidas emergenciais para conter crise no setor florestal do Paraná

Os representantes da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) e o secretário estadual da Fazenda (Sefa), Norberto Ortigara, reuniram-se nessa quarta-feira (20) para estudar medidas que contenham a crise causada pelas tarifas norte-americanas recentemente impostas. O setor florestal paranaense, que reúne 6,7 mil empresas, foi extremamente prejudicado e tem buscado alternativas para minimizar os impactos da medida.

O presidente da APRE, Fabio Brun, apresentou o atual cenário do setor ao governo estadual, assim como sugestões de medidas emergenciais para proteger as empresas diante da crise provocada pelas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Entre os pleitos estão:

  • Implementação de um programa de compra pública de produtos de madeira do Paraná;
  • Agilidade na devolução do ICMS em todas as etapas da exportação, incluindo o transporte interestadual;
  • Aprovação da atualização da Lei Florestal do Paraná, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade da atividade.

“Essas ações são fundamentais para dar fôlego às empresas que estão sendo diretamente atingidas pelas tarifas e que correm o risco de paralisar suas operações”, afirmou o presidente da APRE.

Pela APRE, estiveram presentes ainda o diretor executivo Ailson Loper (diretor executivo), os diretores Afonso Mehl Junior e Alvaro Luiz Scheffer Junior (diretores), e o associado Armando Giacomet (associado). 

Pela Sefa, participaram também da reunião integrantes da equipe técnica da Sefa: Norberto Ortigara (Secretário da Fazenda do Paraná) e equipe técnica, composta por Francisco Inocêncio,  (Assessoria Técnica do Programa Paraná Competitivo), Suzane Gambeta, Davidson Lessa, Juliano Binder, da ( Receita), Roberto Tizon, da ( Inspetoria Geral de Tributação), e Luana Carla Falcão, da área econômica (Assessoria Técnico Econômica).

Tarifas de até 50% colocam exportações em xeque

Desde o dia 6 de agosto, os Estados Unidos passaram a cobrar uma taxa total de 50% sobre os produtos brasileiros – composta por 10% de tarifa básica e 40% de sobretaxa adicional. Apenas uma pequena parcela dos produtos florestais, como celulose e madeira tropical serrada, foi incluída na lista de isenção.

O impacto recai especialmente sobre as empresas  de produtos de madeira sólida e painéis, que já sentem os efeitos do aumento do desemprego e do fechamento de unidades. “Estamos falando de milhares de empregos e de uma cadeia produtiva que sustenta a economia de muitos municípios paranaenses”, reforçou Brun.

Exportações sob risco e ameaça ao emprego

Entre janeiro e junho de 2025, as exportações do Paraná para os Estados Unidos representaram quase a totalidade em segmentos como molduras (98% – US$ 102 milhões) e portas de madeira (96% – US$ 34 milhões), além de 34% de compensado de pinus (US$ 100 milhões) e 33% de serrado de pinus (US$ 26 milhões).

Segundo dados da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), mais de 38 mil trabalhadores podem perder seus empregos, o que afeta diretamente 67% dos municípios paranaenses.

Efeitos colaterais para a agricultura

A interrupção das atividades da indústria madeireira pode gerar efeitos colaterais em outras áreas da economia, como a agricultura, que depende do suprimento de lenha para a secagem de grãos. “O impacto das tarifas vai muito além das fábricas. Ele compromete a competitividade brasileira e a própria sustentabilidade da produção agrícola”, alertou o presidente da APRE.

Chamado por articulação política e institucional

A entidade lembra ainda que o setor florestal já enfrenta outras duas investigações comerciais nos Estados Unidos – a Seção 232 e a Seção 301 – que podem resultar em novas barreiras.

A Seção 232 (Trade Expansion Act) tem por objetivo avaliar se determinados produtos importados representam ameaça à segurança nacional, possibilitando a imposição de tarifas ou outras restrições, incluindo produtos florestais.

Já a investigação no âmbito da Seção 301 da legislação comercial (Trade Act) prevê a adoção de medidas comerciais coercitivas, comumente denominadas retaliações comerciais, como instrumento unilateral de pressão para a abertura de mercados às exportações e aos investimentos externos daquele país.

Diante desse cenário, a APRE cobra articulação do poder público para a defesa do setor florestal paranaense. “Precisamos de uma atuação firme e coordenada entre governo e iniciativa privada para preservar empregos, renda e a relevância do Paraná no comércio internacional”, concluiu Fabio Brun.

Redação JBA Notícias

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