“É uma medida que vai na contramão de todo esforço para fortalecer o desenvolvimento do Norte e Norte Pioneiro. Estamos num momento em que os municípios batalham por mais infraestrutura e logística para atração de investimentos, indústrias e novos empreendimentos”, declara o deputado Tercílio Turini ( PSD).
Segundo a empresa Rumo, concessionária que administra a ferrovia, a falta de demanda comercial motivou a decisão.
“A concessionária (Rumo) alega que a falta de demanda comercial motivou a decisão, o que é um absurdo e um verdadeiro retrocesso”, alega Luiz Claudio Romanelli “Vamos acionar a Agência Nacional de Transportes Terrestres e tomar outras medidas para reverter a decisão”
A ferrovia São Paulo-Paraná, que tem quase um século de história, é um canal de transporte de cargas como combustíveis, fertilizantes e grãos dos mais diversos tipos.
Segundo especialistas, a paralisação pode fazer com que empresas estabelecidas ao longo do trajeto migrem para outras regiões, assim como pode levar ao aumento no preço de produtos, já que o transporte rodoviário é mais caro e poluente do que o ferroviário.
O economista e professor universitário Sinival Pitaguari explica ao Cornélio Notícias, de Cornélio Procópio, que o transporte ferroviário é o segundo mais barato, ficando atrás apenas do marítimo.
Além de ser financeiramente mais viável, também é menos poluente do que outros modais de transporte, como o rodoviário.
Entretanto, apesar dos benefícios, ele reforça que o Brasil é um dos poucos países que dão preferência ao transporte rodoviário do que o por ferrovias, tanto para a locomoção de cargas quanto de pessoas.
Ele ressalta que o transporte rodoviário deve ser utilizado apenas para trajetos curtos ou de ligação para outros modais, enquanto que o ferroviário deve ser a opção para longas distâncias devido ao fator econômico e poluente.
No Brasil, segundo ele, a preferência pelas rodovias vêm de decisões políticas tomadas lá na década de 1950, durante o governo de Juscelino Kubitschek, como forma de atrair as multinacionais dos automóveis.
Diante de crises econômicas e tendências de estagnação ao longo dos últimos 40 anos, Pitaguari afirma que o Brasil não completou nem a malha rodoviária e nem a ferroviária.
“O Brasil é deficiente nas duas coisas, mas teria sido muito mais vantajoso ter desenvolvido pelo menos uma boa malha ferroviária”, opina.
A respeito da desativação do ramal ferroviário entre Londrina e Ourinhos, no interior de São Paulo, o economista afirma que a decisão tende a encarecer o custo de transportes das empresas que estão instaladas ao longo desse “caminho”.
Além disso, também existe um cenário em que as empresas migrem da região para outras mais bem servidas de malhas ferroviárias.
É o caso de fábricas de fertilizantes e adubos, cujos custos podem subir muito sem o transporte ferroviário.
A decisão da Rumo envolve apenas o ramal entre Londrina e Ourinhos, já as operações no ramal que vai de Londrina à cidade de Apucarana continuam normalmente.
Pitaguari pontua que a desativação do ramal ferroviário também pode encarecer os produtos e alimentos nas gôndolas, já que, com o preço mais elevado do transporte rodoviário, o aumento tende a ser repassado para o consumidor final.
Afirmando que a decisão de desativar o ramal ferroviário vai na contramão do que é visto ao redor do mundo, ele afirma que a raiz do problema começou no governo do JK, mas que outro ponto também influencia nesse cenário, que é a privatização das rodovias e ferrovias.



