Paraná

Assembleia Legislativa aponta 10 mil demissões no Paraná em 60 dias por causa da crise no setor madeireiro

O Paraná é o estado brasileiro mais afetado pelo tarifaço norte-americano às importações. De acordo com estimativas do setor madeireiro, as empresas já somam 6 mil demissões e, se a situação perdurar por mais 60 dias, esse número pode se elevar para 10 mil demissões.

A Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) realizou nesta segunda-feira, dia 29 de setembro, uma audiência pública para discutir os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao setor de madeira e derivados. O encontro reuniu deputados, lideranças empresariais e representantes do governo estadual.

De acordo com as entidades que representam o setor madeireiro, entre elas Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) e a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), o cenário enfrentado pelas empresas paranaenses é preocupante. Enquanto até julho deste ano as tarifas estavam em 10%, saltaram para 50% após medidas unilaterais dos Estados Unidos.

Além dos empregos, o maior risco é a substituição do Brasil por outros fornecedores internacionais. Se não houver negociação até o final deste ano, o Brasil provavelmente será substituído no mercado e reverter esse quadro será bem difícil.

Medidas emergenciais e pressão política

O secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, destacou que o governo estadual tem buscado alternativas para mitigar os impactos imediatos da taxação. Entre elas, a liberação de créditos de ICMS e a proposta de autorizar o Estado a comprar créditos das empresas, que deve ser encaminhada à Assembleia Legislativa nos próximos dias.

O deputado estadual Artagão Júnior, presidente do Bloco da Madeira na ALEP, ressaltou a importância da união política em torno do tema. “Esse movimento político provocado pela Assembleia Legislativa do Paraná veio para impactar, para agregar forças. Nós podemos contar com mais de 300 parlamentares em Brasília para que essa pressão reverbere lá”, declarou.

Pleitos do setor

Além da crítica às tarifas americanas, representantes do setor madeireiro também pediram isonomia tributária para produtos de madeira usados na construção civil. “Nós competimos com 36% de tributo contra 1% do Minha Casa, Minha Vida. O que pedimos é apenas isonomia”, defendeu  Alvaro Luiz Scheffer, membro da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE).

A audiência terminou com o compromisso de manter a mobilização política no estado e em Brasília, pressionando o governo federal para avançar nas negociações comerciais. Enquanto isso, o governo estadual deve enviar à ALEP projetos para criar medidas de apoio emergencial às empresas do setor.

Sobre a APRE Florestas

A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) representa aproximadamente metade da área total de plantios comerciais no estado. As principais organizações de ensino e pesquisa formam o conselho científico da APRE, conferindo à entidade representatividade e embasamento técnico para o desenvolvimento das ações em prol do setor florestal. Desde 1968, a atuação política, apartidária, faz da APRE a porta-voz do setor no diálogo com as esferas públicas, organizações setoriais, formadores de opinião e sociedade no desafio de promover e fortalecer ações produtivas do setor florestal paranaense.

Mais informações em https://apreflorestas.com.br/

Redação JBA Notícias

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