O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) concluiu nesta sexta-feira (21), em Foz do Iguaçu, a III Jornada Respad Sul – Busca e Salvamento em Inundações e Enchentes, última etapa de uma série inédita de três simulados integrados realizados pelos Corpos de Bombeiros Militares do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Ao longo das atividades, as corporações testaram técnicas de salvamento, estruturas de comando, comunicação, logística e a atuação conjunta em diferentes cenários de desastres.
Organizado pelo CBMPR, o exercício de Foz do Iguaçu reuniu 20 bombeiros de cada estado nas atividades operacionais, além de cerca de 60 bombeiros paranaenses envolvidos na preparação e estruturação dos cenários.
A programação colocou as equipes diante de situações que exigiram tomada de decisão, avaliação de riscos, emprego de equipamentos especializados e integração entre os diferentes grupos de resposta.
Embora os Corpos de Bombeiros Militares brasileiros compartilhem a mesma base doutrinária, diferenças regionais e operacionais podem influenciar detalhes da atuação.
Neste sentido, um dos principais objetivos dos simulados foi testar a interoperabilidade entre as corporações e aperfeiçoar a integração das equipes em campo.
Para o subcomandante-geral do CBMPR, coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto a série de simulados foi de grande relevância para as corporações do sul e também servirá como uma importante base para a padronização nacional dos procedimentos dos Corpos de Bombeiros Militares do país.
Ele ressalta que o principal ganho da atividade está justamente na preparação conjunta das equipes antes de uma situação real. “Quando equipes de diferentes estados treinam juntas, elas passam a conhecer na prática os procedimentos, a comunicação e a forma de organização umas das outras. Em uma situação real, não há tempo para fazer esse alinhamento. Ele precisa estar construído previamente para que, quando houver necessidade de apoio, a resposta seja mais rápida, organizada e segura”, afirma.
*CENÁRIOS DIVERSOS* – As equipes das três forças-tarefas passaram por cinco bases práticas, com cenários de diferentes níveis de complexidade. No Rio Iguaçu, realizaram o resgate de uma vítima ilhada em uma formação rochosa; na Ponte Internacional Tancredo Neves, um salvamento vertical com acesso por cordas; e, no Rio Tamanduá, uma ocorrência envolvendo embarcação em área de corredeiras.
Na Cachoeira da Usina, o exercício simulou o resgate de vítima em uma formação rochosa, com possibilidade de emprego de aeronave. O último cenário ocorreu à noite, no Canal da Piracema, com elevação rápida do nível da água e múltiplas vítimas, exigindo técnicas de busca e salvamento em baixa visibilidade.
Os diferentes ambientes permitiram avaliar não apenas as técnicas de salvamento, mas também a capacidade de análise de riscos, reorganização de recursos e tomada de decisão das equipes.
*COMANDO E TECNOLOGIA* – Além da atuação diretamente nos locais de resgate, o exercício colocou à prova a estrutura necessária para gerenciar uma ocorrência de grande porte. Um Posto de Comando foi instalado no 9º Batalhão de Bombeiro Militar, em Foz do Iguaçu, utilizando o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), metodologia padronizada para organização de recursos, informações, comunicação e tomada de decisões em emergências complexas.
A estrutura permitiu acompanhar simultaneamente as bases e centralizar as informações produzidas pelas equipes. Drones foram empregados nos cenários para transmitir imagens em tempo real ao centro de comando, ampliando a visão dos responsáveis pela operação e contribuindo para a avaliação das condições de cada local.
O simulado empregou também parte da estrutura da nova Base Móvel de Comando e Operações do CBMPR, que amplia a autonomia da corporação em ocorrências de grande porte, além de equipamentos especializados, como as motoaquáticas do tipo Rescue Runner, únicas no Brasil e voltadas exclusivamente para operações de busca e salvamento em ambientes aquáticos complexos.
*RESPAD SUL* – O simulado realizado em Foz, que encerrou a série de três exercícios integrados entre as corporações do Sul, faz parte do Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad), programa da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A iniciativa foi estruturada após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, quando equipes de diferentes estados foram mobilizadas para atuar na resposta à emergência.
O primeiro exercício ocorreu em junho, em Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, com foco em estruturas colapsadas e deslizamentos. Em julho, o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, recebeu o segundo treinamento, voltado a enchentes e inundações. A etapa paranaense ampliou a preparação para ambientes de águas rápidas, correntezas e operações de salvamento em inundações.
“Os três exercícios nos permitiram trabalhar diferentes tipos de ocorrência e, principalmente, exercitar a mobilização entre os estados. É um aprendizado que vai além da técnica de salvamento: envolve preparar o efetivo, organizar os equipamentos, deslocar as equipes, estabelecer o comando e trabalhar com uma mesma lógica operacional. Como diz a frase que resume o Respad, não desejamos o desastre, mas se ele vier estaremos preparados”, explica o coronel Emmanuel.