A Síndrome da Pessoa Rígida é um distúrbio neurológico que já assusta só pela denominação. “É uma doença autoimune muito grave e extremamente rara – que afeta uma ou duas pessoas em um milhão -, caracterizada por uma rigidez muscular progressiva, onde o paciente vai desenvolvendo espasmos“, conta o neurologista João Marcos Ferreira, membro da Sociedade Brasileira de Neurologia. “Nessa doença, as vias que relaxam os músculos param de funcionar, então o que prevalece é o sistema excitatório”, explica ele.
A doença geralmente começa localizada em um único local, mas tende a se espalhar para outras partes do corpo. “É comum começar pelo pescoço, ir para o tronco e atingir braços e pernas”, diz o especialista. Para traduzir, a sensação é parecida com a de cãibras intensas, em que não é possível “soltar” a musculatura, causando extrema dor. “O corpo fica rígido e contraído e pode ter movimentos tão fortes, de tanta contração, que podem causar até fraturas”, explica João Marcos, ressaltando que “é uma doença muito triste e não tem cura. Tudo o que se pode fazer é tratar os sintomas”.
Foi o que aconteceu com Céline Dion, cantora canadense, 56 anos. A voz por trás de “My Heart Will Go On”, trilha sonora do filme Titanic, confirmou seu diagnóstico em 2022. Foi obrigada a cancelar todos os shows programados para 2023 e 2024. Em decisão corajosa, foi protagonista do documentário “I Am Celine Dion”, disponível no Prime Vídeo, 1h43m, em que, de forma nua e crua, expõe a doença que transformou a sua vida. Como uma espécie de “carta de amor” aos fãs, Céline destaca a força de música que sempre guiou a vida pessoal. Desde então, raramente foi vista em público.
Na última sexta-feira, depois do acendimento da pira olímpica – a Torre Eiffel como cenário privilegiado -, surgiu o corpo alto e elegante, figura esguia, rosto magro, olhos penetrantes, daquela artista que está superando barreiras, sem dó nem piedade, de seu plano de vida e trabalho. A voz cristalina, marcante e inconfundível de Céline Dion ecoou, de forma irrepreensível, como uma espécie de bálsamo que afastou a tristeza de tantos e quantos os que lamentaram o sofrimento suportado pela artista. Os versos de Hymne a l’Amour, eternizados por Édith Piaf, ecoaram nessa noite de Paris e se espalharam, no mundo inteiro, por ecos de radio e televisão.
Céline chorou, como chovia em Paris naquele momento sublime, ao vocalizar os últimos versos do “hino ao amor”:
Meu amor, você acredita que nós nos amamos? – Mon amour, crois-tu qu’on s’aime?
Deus reúne – Dieu reunit
Os que se amam – Ceux qui s’aiment
Chorando como Céline, por chorar de emoção ao vencer uma prova de uma ou duas pessoas em um milhão, o céu parisiense também derramava água no dia escolhido para a abertura das XXXIII Olimpíadas do tempo moderno, na última sexta-feira.
De 26 de julho a 11 de agosto, aproximadamente 10,500 atletas competirão em 32 esportes distintos, representando 203 Comitês Olímpicos. Em preparação para os jogos, é inimaginável o tremendo esforço, sacrifício até, que esses atletas foram capazes de vencer para obter credenciamento para a disputa olímpica;
Assim, nesses dias, em que o esporte fala mais alto de diferenças políticas, econômicas e sociais, vamos torcer pelo exemplo de Céline Dion. Cada atleta concorra com si mesmo, superando as próprias limitações físicas, emocionais e espirituais.
Oswaldir Ehlke Scholz– Mestre em Administração. Atuou como professor universitário na FAE, lecionando a disciplina de Teoria Geral de Administração. Foi Superintendente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola, no Paraná. Escritor. Artista Plástico. Lapeano, 77 anos.



