A Itaipu Binacional e os prefeitos dos municípios lindeiros do Lago de Itaipu se reuniram, na manhã desta quinta-feira (9), para discutir a estruturação de um plano de turismo náutico para a região. A reunião, convocada pelo Conselho dos Municípios Lindeiros, teve a participação de gestores municipais, técnicos da usina e especialistas internacionais em roteiros náuticos e é parte de um processo que já tem calendário e metodologia definidos.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, destacou o diálogo como fundamento da relação entre a usina e os lindeiros e lembrou que a gestão atual já investiu mais de R$ 160 milhões nas comunidades da região. “O turismo é algo que pode mudar a vida de muita gente. Isso aumenta muito a renda das pessoas, permite que aquele agricultor que vive da sua produção agregue uma renda que ele não tinha, com muito menos trabalho”, explicou o diretor.
A gerente da Divisão de Iniciativas de Turismo da Itaipu, Aline Teigão, apresentou o Masterplan do Turismo Náutico do Lago de Itaipu, um projeto de escala regional que integra infraestrutura pública, parcerias privadas e um sistema de segurança tecnológica para viabilizar a navegação em seus 170 quilômetros de extensão.
Um masterplan (ou plano diretor) é um documento estratégico de longo prazo que define a visão, os objetivos e as diretrizes para o desenvolvimento de um projeto ou empreendimento de forma integrada e organizada. Esse estudo foi desenvolvido em parceria com o Itaipu Parquetec e consultores internacionais da Ocean Eyes Productions, especializados em turismo náutico sustentável. O estudo rompeu com a tradição de planejar a partir da terra, adotando a perspectiva de quem está na água olhando para a margem. “Eles [Ocean Eyes] ficaram 15 dias no lago e apresentaram algumas propostas e alguns pontos de vista que a gente que olha para o lago todo dia, muitas vezes, nem consegue ter”, contou Aline Teigão.
Os estudos da Ocean Eyes também identificaram pontos críticos de assoreamento e contaminação em alguns braços do lago, o que exigirá intervenções de saneamento e recuperação de matas ciliares por parte das prefeituras. “Temos um compromisso ambiental que se impõe sobre qualquer outra coisa”, observou Enio Verri.
O diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni, contextualizou o momento como “o começo de algo grandioso para o turismo náutico da região” e ressaltou que o diferencial desta iniciativa está no método: ao invés de grandes estruturas planejadas externamente, o processo parte de estudos técnicos e do diálogo direto com os municípios. “A Itaipu pode contribuir um pouco, o município um pouco, o Estado outro pouco e juntar esses investimentos a partir de projetos que sejam viáveis”, disse Carboni.
Carta náutica
Um componente essencial para a viabilização comercial do lago é a Carta Náutica. Aline Teigão explicou que a Itaipu está em diálogo avançado com a Marinha do Brasil para integrar todos os dados coletados pela Usina em um documento oficial de navegação. “A autoridade competente da carta náutica é a Marinha. Já faz mais de um ano que estamos em conversa para efetivar esses dados, principalmente para a região dos paliteiros (árvores submersas), que é a mais complexa”, afirmou a gerente.
A Carta Náutica é considerada uma medida urgente para substituir a navegação instintiva pela segurança técnica, permitindo o mapeamento de profundidades (batimetria) e a sinalização de obstáculos submersos, como rochas e galhadas, que representam riscos aos visitantes. Além de garantir a integridade física dos navegantes, esse documento técnico, construído em parceria com a Marinha, é visto como o passo fundamental para profissionalizar o turismo no Lago de Itaipu.
Roteiros já esboçados
Os especialistas internacionais apresentaram uma primeira proposta de roteiros náuticos organizados por nível de prontidão. Os roteiros de um dia já identificados incluem:
Nível 4 – Prontos para operação:
Expedição Paraná-Piquiri (Guaíra, Terra Roxa e Mundo Novo): navegação com visualização do antigo leito das Sete Quedas e encontro das águas. Foco em pesca esportiva sustentável (pesque-e-solte), com alta prontidão graças à expertise dos guias locais já estabelecidos.
Nível 3 – Quase prontos:
Conexão Natureza (Medianeira e São Miguel do Iguaçu): navegação silenciosa no Rio Ocoy, gastronomia rural ítalo-germânica a bordo e pôr do sol no Morro da Salete. Requer mapeamento de viabilidade em função de assoreamento e necessidade de infraestrutura de apoio náutico.
Entre os demais roteiros em desenvolvimento estão: Entre Ilhas e História (Norte de Guaíra); Do Azul ao Dourado (Itaipulândia e Missal); Horizonte Náutico (Santa Terezinha de Itaipu e Foz do Iguaçu); Caminhos do Lago (Mercedes e Marechal Cândido Rondon); Entre Pontes e Remansos (Entre Rios do Oeste e Pato Bragado); Do Refúgio ao Diamante (Santa Helena, Diamante d’Oeste e São José das Palmeiras); e Remansos de Guaíra (Sul de Guaíra).
O Masterplan prevê um conjunto de estruturas e equipamentos a serem implantados nos municípios, que incluem: píeres, rampas, poitas, calçadas, ciclovias, iluminação, mobiliário urbano, playground, sistemas de vigilância e infraestrutura tecnológica. Na área ambiental, o plano também contempla limpeza do espelho d’água com manejo de macrófitas, gestão de resíduos, sistemas fotovoltaicos e melhoria nos acessos viários.
O diretor de Turismo do Itaipu Parquetec, Yuri Benitez, contextualizou o papel do parque tecnológico como elo técnico entre poder público, setor privado e acadêmico. Para ele, o grande salto ainda está por vir: tirar o turismo das margens e levá-lo para o interior do lago. “Hoje, o turismo já acontece nas margens, em balneários, áreas de lazer e circuitos de ciclismo. A provocação é voltar nosso olhar para o lago e fortalecer a navegação”, disse Benitez.
Cronograma
Entre os dias 13 e 17 de abril, técnicos da Itaipu e do Itaipu Parquetec realizarão a Expedição do Masterplan — uma série de visitas presenciais a todos os 16 municípios lindeiros para levantamento de potencialidades, projetos existentes e demandas de infraestrutura. Na sequência, entre 16 e 28 de abril, serão realizadas as Oficinas do Masterplan, encontros municipais para alinhamento técnico e apresentação dos resultados dos estudos.
“O Lago de Itaipu é uma riqueza natural de valor incomensurável. É difícil traduzir, em poucas palavras, o conjunto de benefícios que essa estrutura pode gerar para a região. Com a abertura e o diálogo promovidos pela Itaipu, os municípios passam a enxergar novas possibilidades e a projetar, de forma mais concreta, o desenvolvimento econômico ligado a esse segmento”, disse o presidente do Conselho dos Municípios Lindeiros do Lago de Itaipu, Antônio França Benjamim.



