O que está em jogo na visita do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil e na reunião que ele terá com Lula na próxima quarta-feira (20)? A resposta, na análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), depende do ponto de vista de cada país.
Pelo lado chinês, há a perspectiva de que o Brasil faça parte da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês), um grandíssimo projeto encabeçado pela potência asiática para erguer estruturas mundo afora que a ajudem a potencializar os seus fluxos de comércio.
Neste ano, a Nova Rota da Seda, como o programa é chamado, completa uma década de existência, com investimentos que já chegaram a US$ 1 trilhão (R$ 5,79 trilhões), segundo dados oficiais — valor que corresponde a cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2023, por exemplo (US$ 2,1 trilhões).
Analistas que se reúnem periodicamente no Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política, da FecomercioSP, têm apontado como o estímulo a esses fluxos é fundamental diante do contexto atual chinês, marcado por uma crise de demanda. Isso acontece porque o grosso dos consumidores do país tem ativos ligados ao setor imobiliário — que, se já foi a principal força econômica da China, atualmente, está combalido. Frente aos preços desse mercado em queda, muita gente se sente mais pobre hoje do que há dez anos, reduzindo o consumo com o intuito de guardar dinheiro.
Contudo, em paralelo, a China tem feito investimentos vigorosos na sua indústria de tecnologia, sobretudo de carros elétricos e de energia verde, gerando um excedente produtivo que não está sendo absorvido pelos mercados dos países desenvolvidos. Basta lembrar que tanto o atual presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, quanto o próximo, o republicano Donald Trump, mantêm uma política tarifária parecida sobre esses tipos de produtos chineses (no caso dos automóveis, a gestão Biden implementou uma tarifa de 100% sobre eles).
Nessa conjuntura, o gigante asiático aposta as próprias fichas em parceiros comerciais emergentes, como o Brasil.
Já pelo lado brasileiro, a visita marca um momento de equilíbrio geopolítico, porque o País sabe que a volta de Trump à Casa Branca também deve significar uma intensificação das guerras comercial e tecnológica entre Estados Unidos e China, pressionando boa parte das nações globais para que se realinhem com um ou outro.
A questão é que, apesar de o Brasil cultivar uma relação política histórica com os norte-americanos, os chineses representam um grande mercado de exportações. Para se ter uma ideia, em 2023, um terço de tudo o que o País vendeu ao exterior foi absorvido pela China (30,7%). E não só isso: a maior parte das importações também vem de lá (22,1%), seguidas pelas transações estadunidenses (15,8%).
Nesse sentido, o governo brasileiro precisa, em uma mão, manter e até expandir essa relação econômica com a China e, na outra, evitar provocar os norte-americanos. Em meio a essa conjuntura, deve ficar claro que o País é uma democracia que valoriza as liberdades individuais. No primeiro caso, em especial, a visita de Jinping vai servir como uma oportunidade para que o Brasil tente convencer os chineses a aumentar ainda mais o volume das importações brasileiras — uma tarefa difícil em um momento de excedente produtivo por lá.
Sobre a FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.
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