Cultura

Empresário recupera prédios antigos no centro histórico de Curitiba

Apaixonado pelo Centro e por construções antigas de Curitiba, o empresário Arley Smanhotto chega neste primeiro semestre de 2026 a surpreendente marca de sete imóveis históricos recuperados no bairro.

Já está em fase final de restauro a Casa Maleski, casarão construído por Francisco Maleski, em 1914, na esquina das ruas Trajano Reis e Paula Gomes.

“A Casa Maleski está, literalmente, ressurgindo das cinzas, após um incêndio que consumiu todo o seu interior em 2014. Foram seis meses de recuperação e o casarão está quase pronto para ser locado e receber dois novos negócios que vão ajudar a revitalizar o Centro: um café no térreo e um estúdio de tatuagem no andar superior”, conta Smanhotto.

O casarão foi residência até 2009 e também chegou a dividir as dependências, em diferentes décadas, com comércios como açougue, bar e lotérica – até ocorrer o incêndio há 12 anos. Em 2025, o empresário gaúcho comprou o imóvel dos herdeiros e, meses depois, iniciou as obras de reconstrução interna e restauro da parte externa em estilo eclético.

Os arquitetos Luiz Fernando Colnaghi e Luana Jochinsen são os responsáveis por projetar as intervenções nos imóveis antigos adquiridos por Smanhotto e propuseram para a Casa Maleski uma requalificação que mantivesse o máximo possível das características de uma edificação do início do século 20.

De elementos como pisos, esquadrias de janelas e forros em madeira, passando pelos materiais usados nas colunas e vigas, cada escolha revela um diálogo entre passado e presente.

Até a estrutura metálica que dá suporte às paredes, ao segundo piso e ao novo telhado foi concebida para sustentar, com discrição, a memória original do espaço.

Tudo submetido à aprovação da equipe do Setor de Patrimônio Histórico do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), órgão do município responsável pela aprovação e acompanhamento dos projetos de restauro de construções antigas de Curitiba.

“As modernizações foram realmente pontuais e necessárias, como nas partes elétrica e hidráulica, bem como nos banheiros e cozinha. Além de atualizações para adequar o imóvel às atuais normas de acessibilidade, prevenção contra incêndio e reforço estrutural”, explica Colnaghi.

Um dos pontos altos da reconstrução foi a descoberta de fragmentos ocultos do passado da Casa Maleski nas paredes internas sobreviventes ao incêndio de 2014. Durante a retirada de camadas antigas de cimento, a equipe liderada pelo mestre de obras Josué da Silva, fiel escudeiro de Smanhotto, se deparou com elementos decorativos originais que, como em outros imóveis do empresário, agora estão preservados como “janelas do tempo”. São três pinturas que passam a integrar a ambientação do salão principal no térreo.

Casa Amarela

Nem terminou ainda as obras do imóvel na Rua Trajano Reis, Arley Smanhotto já iniciou um novo resgate de uma edificação histórica. O empresário adquiriu e iniciou os trabalhos de restauro da Casa Amarela, situada no número 416 da Rua Inácio Lustosa.

A edificação, que mistura os estilos eclético e protomoderno, foi construída pela família Reinhardt por volta de 1910 e sediou o antiquário do marchand Raul Reinhardt Venhaz, que foi morador da casa por mais de 70 anos. Há registros ainda de que Anna Reinhardt, bisavó de Raul, residiu na casa. Nascida na Alemanha em 1876, ela foi uma importante parteira de Curitiba.

Originalmente, o casarão tinha apenas um pavimento, mas em 1938, Hermann Reinhardt solicitou ao engenheiro Arthur Bettes (1892–1966) — reconhecido por projetar o prédio do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) — a proposta de ampliação da residência, com a inclusão do segundo andar.

O antigo quintal da Casa Amarela será transformado em estacionamento e em um charmoso jardim com paisagismo que irá preservar e valorizar árvores frutíferas, visitadas diariamente por aves Jacu, e até um nostálgico poço.

UIPs

Arley Smanhotto, 70 anos, dedicou a carreira à construção de rodovias, mas há 15 anos encontrou uma nova paixão: recuperar casarões históricos para locação.  Todas as obras de restauro promovidas pelo empresário, nas chamadas Unidades de Interesse de Preservação (UIPs), tiveram a aprovação e o acompanhamento técnico de arquitetos do Ippuc.

“Sempre gostei de coisas históricas e, quando voltei a me estabelecer em Curitiba, após trabalhar em todo o Brasil, comecei comprar imóveis na região central e restaurá-los para alugar a lojistas. Vou continuar a investir e a acreditar no Centro até quando puder”, garante ele.

Em 2025, Smanhotto foi agraciado pelo prefeito Eduardo Pimentel com a Comenda da Ordem da Luz dos Pinhais, a mais alta honraria concedida pela Prefeitura de Curitiba, por sua contribuição para a preservação do patrimônio histórico e redesenvolvimento do bairro, que está alinhada ao programa Curitiba de Volta ao Centro.

Imóveis

O primeiro imóvel recuperado por Smanhotto, em 2010, fica na Rua Alfredo Bufren, de frente para a Praça Santos Andrade, que hoje abriga um salão de beleza. Ele gostou tanto do resultado que, após deixar de atuar no setor de obras rodoviárias, entrou em um ritmo surpreendente de compra e restauro de edificações no Centro nos últimos cinco anos.

O empreiteiro já concluiu retrofits de UIPs na Alameda Augusto Stellfeld, que hoje abriga um restaurante; na esquina das ruas Ébano Pereira e Saldanha Marinho, ocupada por uma livraria; na Rua Saldanha Marinho, sede de uma escola de balé; e na Rua Carlos Cavalcanti, quase esquina com Rua Mateus Leme, ocupada por um bistrô.

O empresário se orgulha em contar também que entre as sete edificações que se tornaram sua propriedade está a grande edificação no número 593 da Rua Barão do Rio Branco, quase esquina com Avenida Visconde de Guarapuava, onde nasceu o ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná Jaime Lerner. Hoje, o local abriga um charmoso restaurante e café.

Redação JBA Notícias

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