Estilo de vida e fatores socioeconômicos: qual a relação com a obesidade no Brasil?

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Aline Veroneze de Mello Cesar, professora da Uninter. Rodrigo Leal
Aline Veroneze de Mello Cesar, professora da Uninter. Rodrigo Leal

Em minhas leituras sobre os diversos aspectos importantes relacionados à obesidade uma frase me impactou: “Genetics load the gun, but the environment pulls the trigger” (de Bray e colaboradores, 2004), que em português significa “A genética carrega a arma, mas o estilo de vida puxa o gatilho”.  Isso me intrigou e me leva a pensar o que está por trás deste pensamento. A genética sempre esteve lá, não a escolhemos e é algo praticamente estático. No entanto, não é necessariamente ela quem detém o controle de nossas vidas.

O estilo de vida, sim, é o conjunto de hábitos e costumes, baseado em escolhas, interações e influências que podem ser tanto positivas, quanto negativas. Optar por uma alimentação inadequada, sedentarismo ou a ausência da prática de atividade, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o fumo são comportamentos que podem incidir no “puxar o gatilho” e trazer consequências indesejadas, como o surgimento de doenças.

Neste aspecto, observamos um alarmante cenário na população brasileira de aumento da obesidade, com IMC (Índice de Massa Corporal) superior a 30kg/m2, sendo que seu cálculo é dado por peso/altura2. A Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, realizada em 2019, nos mostrou que a prevalência da obesidade atingiu 20,1% da população brasileira. As projeções, infelizmente, não são animadoras, uma vez que mostram que 55 milhões de brasileiros serão obesos em 2030 (24%).

Com os dados da mesma Pesquisa Nacional em Saúde em conjunto com a Pesquisa de Orçamentos Familiares, também do IBGE, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou recentemente (2022) as causas da obesidade, reforçando seu aspecto multifatorial, ou seja, uma combinação ou somatória de fatores.

E o que foi observado? Que não há um único fator determinante da obesidade, mas uma combinação deles, principalmente a idade, renda, falta de atividade física e hábitos alimentares!

Mas em que aspecto? A menor renda poderia justificar a escolha por alimentos ultraprocessados, aqueles de baixo custo, “práticos na hora de consumir”, com poucas vitaminas e minerais e com muita gordura, açúcar e aditivos. Essa forma de consumo acaba sendo maior em calorias (energia) e há um baixo gasto dessas calorias, corroborado pelo comportamento sedentário  atividades que não apresentam considerável impacto no gasto energético, como ficar ao celular, no computador, assistir televisão.

Contudo, o consumo do tradicional “arroz com feijão”, associado ao consumo de frutas, verduras e legumes e das nozes e castanhas, ainda é a melhor opção para se evitar o ganho de peso.

As questões sociais já se mostram extremamente relevantes na alimentação, desde Josué de Castro, pesquisador que apontou, em 1930, como a fome e a desnutrição estavam relacionados a menor condição econômica e social.

Com a mudança no perfil e estilo de vida da população, agora, observamos a baixa renda também associada à obesidade e que existem fatores que não conseguimos alterar, como aspectos genéticos e a idade, mas ao “puxar o gatilho” que seja aquela “arma” de flor de “palhaços do circo” que espirram água e fazem todos ao redor soltarem gargalhadas, uma analogia para qualidade de vida e longevidade que envolve um estilo de vida saudável, baseado em uma alimentação adequada nas diferentes fases da vida e na prática de atividades físicas, claramente acompanhado por políticas públicas que favoreçam a melhoria nas condições econômicas e sociais da população brasileira. Essas sim, são as maneiras mais eficazes!

 

(*) Aline Veroneze de Mello Cesar é nutricionista, mestre e doutora em Ciências. Atua como docente do curso de Nutrição no Centro Universitário Internacional Uninter.

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