Foto Roberto Dziura AEN
O Grupo Potencial inicia um novo ciclo de crescimento, com investimentos de R$ 6 bilhões no seu complexo industrial na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, até 2030.
O grupo inaugurou sua nova esmagadora de soja e a segunda maior planta de glicerina refinada do mundo, que teve a presença do vice-governador Darci Piana e marcou o início das operações das novas estruturas industriais.
O novo ciclo de expansão vai consolidar o complexo industrial paranaense como um dos mais avançados e integrados polos de agroenergia do mundo.
A expectativa é ampliar significativamente a capacidade produtiva da companhia, que se consolidará como a maior indústria de biodiesel em planta única do mundo, projetando o grupo como líder global de agroenergia.
A estratégia tem como base o crescimento modular e a verticalização da cadeia produtiva, integrando esmagamento de soja, produção de biodiesel, etanol de milho, óleo degomado, DDGS, biogás e infraestrutura logística. A projeção anual inclui a produção de até 1 bilhão de litros de etanol, 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 500 milhões de litros de óleo degomado e 9 milhões de metros cúbicos de biogás, consolidando um modelo industrial integrado que conecta soja, milho e geração de energia renovável.
O vice-governador Darci Piana ressaltou o ambiente favorável aos investimentos no Paraná e o papel das políticas públicas na atração de empresas e no desenvolvimento regional. “Estamos apoiando os empresários que escolhem o Paraná, com programas como o Rota do Progresso, que incentiva a instalação de empresas em pequenos municípios e leva desenvolvimento para toda a região. Hoje, o Paraná é o estado que mais cresce, que mais gera empregos e se destaca em diversas áreas como educação, segurança e saúde”, pontuou.
O secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, destacou a relevância do investimento para o fortalecimento de uma das principais cadeias produtivas do Estado e para o avanço na agregação de valor à produção agrícola. “Trata-se de um grandioso investimento em uma cadeia importante, cuja produção ocupa 29% do território do Paraná. O Brasil é líder mundial na produção de soja, com mais de 170 milhões de toneladas neste ano, e o Paraná contribui com cerca de 22 milhões. É inteligente processar essa produção, transformar em farelo e óleo, e especialmente em biodiesel, um combustível renovável. É uma sacada inteligente do Grupo Potencial, que agora dá um passo maior ao processar a própria soja e produzir aqui o próprio óleo”, analisa.
Segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, Relações Institucionais e Novos Investimentos do Grupo Potencial, o movimento representa uma mudança estrutural na escala e no posicionamento da companhia. “Estamos consolidando um modelo industrial totalmente integrado, que começa no campo e termina na geração de energia limpa. Essa verticalização nos dá eficiência, competitividade global e segurança de suprimento, além de ampliar nosso impacto positivo na economia brasileira”, afirma.
Desde 2011, o Grupo Potencial participa do programa Paraná Competitivo, que concede incentivos fiscais, como a redução do ICMS, às empresas que investem ou ampliam seus negócios no Estado. “O Paraná Competitivo oferece condições que ajudam o empresário a se enraizar e investir no longo prazo. Quando há união entre governo estadual, município e iniciativa privada, conseguimos tirar grandes projetos do papel com mais eficiência e segurança”, frisou Hammerschmidt.
PRÓXIMOS PASSOS – Até o fim de 2026, estão previstos novos lançamentos, incluindo a terceira planta de biodiesel, a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) em circuito fechado, a implantação de dutos para transporte de biocombustíveis e gás e iniciativas voltadas à meta de resíduo zero. Apenas para o gasoduto serão investidos R$ 300 milhões, sendo que R$ 100 milhões serão aportados pela Companhia Paranaense de Gás (Compagás). Atualmente, cerca de 95% de todos os resíduos gerados em suas operações já são reaproveitados.
Na etapa seguinte, prevista para 2028, o Grupo Potencial avançará na expansão da produção de etanol de milho, ampliando a diversificação energética e fortalecendo a integração da cadeia de agroenergia.
EXPANSÃO – A ampliação do esmagamento de soja ocorrerá em duas etapas, saindo de 3.500 toneladas por dia para 7.000 toneladas diárias, garantindo maior autonomia no fornecimento de óleo para produção de biodiesel e maior eficiência na integração da cadeia produtiva. Ao final do ciclo, o complexo alcançará a capacidade anual de processamento de cerca de 2,3 milhões de toneladas do grão.
Paralelamente, o projeto de etanol de milho será implementado em três módulos de 2.400 toneladas por dia cada, totalizando 7.200 toneladas diárias, aproximadamente 2,6 milhões de toneladas por ano, consolidando o milho como nova frente estratégica na matriz de agroenergia do grupo.
Com essa estrutura, o Grupo Potencial projeta um faturamento anual estimado em R$ 20 bilhões até 2030, impulsionado pela ampliação de escala, diversificação do portfólio e ganhos de eficiência industrial.
Ao final do ciclo, o complexo deverá processar 14.200 toneladas de grãos por dia, o equivalente a aproximadamente 4,7 milhões de toneladas por ano, representando uma parcela relevante da produção estadual de soja e milho.
IMPACTO – A injeção anual de recursos na economia, considerando a compra de grãos, está estimada em R$ 6,3 bilhões, ampliando a geração de renda no campo, estimulando a cadeia produtiva e impulsionando o desenvolvimento regional.
A operação também terá forte impacto logístico. Estima-se a movimentação de cerca de 117 mil viagens de caminhões por ano, o que corresponde a uma média de 355 viagens diárias.
Já a produção de farelo de soja e DDGS de milho deve alcançar 2,56 milhões de toneladas por ano. Para o escoamento desses coprodutos, a logística demandará aproximadamente 172 viagens diárias, totalizando cerca de 57 mil viagens por ano, contribuindo diretamente para o fortalecimento da infraestrutura regional.
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