A proximidade da Copa do Mundo Feminina, que será disputada no Brasil no ano que vem, traz uma discussão sobre como os clubes do país estão formando novas jogadoras. O Paraná Clube, no entanto, já escolheu o seu caminho: formar atletas desde a infância, cultivando talentos que, mais para frente, possam seguir uma carreira profissional no futebol.
Desde 2024, o Tricolor possui uma parceria com a Associação Desportiva Gurias Football, que está com uma nova diretoria executiva. A gestão atua de forma integral no desenvolvimento de atletas com uma estrutura de categorias de base que engloba o futsal sub-11 e as categorias sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20 no campo, com mais de 100 atletas atuando em todos os níveis.
Daniel Schafer, gestor do projeto do Paraná Clube Gurias, explica que, desde que a nova diretoria assumiu o projeto, no início deste ano, existe um grande esforço para viabilizar não somente equipes competitivas, mas principalmente uma capacidade de promover formação humana para as meninas.
“Com a nova diretoria, juntamos forças com pessoas de diferentes setores para potencializar o projeto. Entendemos que o futebol vai muito além das quatro linhas e dos resultados: queremos formar cidadãs, sabendo que elas têm um objetivo no esporte e as suas dificuldades no dia a dia. Temos um senso de responsabilidade em saber que muitas vêm para cá bem jovens e vão subindo de categoria. É preciso entender cada uma e ter o cuidado que elas merecem”, explica Daniel.
O gestor ainda reforça que há uma luta para obter patrocínio e apoio para as atletas. “Nós precisamos de ajuda. Estamos correndo atrás de apoios, em empresas e secretarias públicas, mas sendo transparentes com as meninas e os pais sobre o que estamos fazendo. Queremos lutar para que o futebol feminino seja visto de maneira diferente e para que as necessidades das meninas sejam compreendidas”, comenta o gestor.
Novo desafio
Aos poucos, os resultados da parceria começam a aparecer. Ainda em 2024, a equipe sub-17 conquistou o Campeonato Paranaense da categoria e fez com que o futebol feminino do Paraná disputasse uma competição nacional pela primeira vez. Pedro Kuster, atual técnico da equipe, ressalta que, para ter um bom resultado, é preciso apostar na formação humana das atletas.
“A formação humana é uma grande preocupação nossa. Muitas vezes, vemos pais ausentes ou outros tipos de dificuldade que fazem de nós, da Comissão Técnica, um espelho para as atletas, de certa forma. Por isso, temos que dar o exemplo nas nossas atitudes extracampo e mostrar para as meninas que elas vão encontrar situações difíceis, mas que, com bom preparo e dedicação, é possível encarar e superar desafios”, explica o treinador.
A conquista do Paranaense é uma prioridade para o Paraná Clube Gurias. Para participar do Campeonato Brasileiro sub-17, é preciso uma combinação entre bom desempenho a nível estadual e indicação da federação estadual via Ranking Nacional de Clubes e Federações. Portanto, vencer o torneio colocaria o Tricolor em uma excelente posição para conseguir a vaga na competição nacional.
Golaço que viralizou
O bom trabalho e o talento das atletas já estão viralizando nas redes sociais. No último dia 2 de agosto, a zagueira Duda Vino, de apenas 14 anos, anotou um belo gol na estreia do Paranaense, na Vila Olímpica do Boqueirão, em partida contra o Imperial que terminou empatada em 1 a 1. Para Duda, que arriscou um disparo pouco a frente do meio-campo, a viralização do gol tem sido bastante positiva.

“Já recebi várias mensagens nas minhas redes, ganhei seguidores, a escola inteira ficou sabendo… estou muito feliz com esse momento. Foi um chute arriscado, mas ali eu queria dar o meu máximo, então aproveitei a chance e chutei para o gol”, relembra a atleta. No Instagram oficial da equipe feminina, o gol foi comentado inclusive por Amanda Gutierres, jogadora da Seleção Brasileira e do Boston Legacy, dos Estados Unidos.
Duda, porém, reforça que o gol é importante para que o time consiga uma boa campanha no estadual e possa ter condições de mostrar a sua qualidade também a nível nacional. “Acho que o gol me ajuda bastante, mas também é importante que o time jogue bem e consiga o título, para depois disputar o Campeonato Brasileiro. Estamos dando o nosso melhor, sem desistir de nada”, pontua.
Em busca de um sonho
Assim como Duda, as outras atletas também seguem em busca do sonho de jogar futebol profissionalmente. Uma delas é Júlia Frisson, zagueira de 15 anos que começou a praticar o esporte com apenas onze. Para ela, que antes só jogava com os meninos, o sonho se fortaleceu e se transformou em combustível para disputar as competições e chegar cada vez mais longe.

“Na minha vizinhança, eu era a única menina que jogava bola, então sempre tive esse desafio e um sonho que crescia cada vez mais. Mas quando eu vim para o Paraná, encontrei outras meninas e um apoio muito grande do treinador, o que me ajudou muito a evoluir. É essa história que estamos fazendo aqui que me deixa confiante no time e na chance de conseguirmos uma vaga no Campeonato Brasileiro”, conta a atleta.




