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Modelo de gestão compartilhada amplia experiências para estudantes e fortalece indicadores educacionais no Paraná

O Brasil ainda enfrenta um dos maiores desafios da educação pública: manter adolescentes engajados na escola até a conclusão do ensino médio. Segundo dados do UNICEF, cerca de 993 mil crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola, dos quais aproximadamente 440 mil têm entre 15 e 17 anos — justamente a faixa etária em que cresce o risco de abandono escolar. Além disso, 8,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos não frequentam a escola nem concluíram a educação básica, enquanto cerca de 4,2 milhões de estudantes vivem em situação de distorção idade-série, condição associada ao baixo desempenho e à evasão escolar.

É diante desse cenário que as parcerias entre o poder público e a iniciativa privada têm buscado ampliar as experiências oferecidas aos estudantes e fortalecer os indicadores educacionais. No Paraná, escolas públicas com a gestão administrativa da APG.Gov, por meio do Programa Parceiro da Escola, vêm registrando avanços em frequência, aprendizagem e adesão ao Enem ao aliar projetos de protagonismo estudantil, cidadania, cultura do debate e tecnologia à rotina escolar.

Além disso, os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgados em agosto de 2026, posicionam o Paraná no topo do ranking nacional da educação pública. No período avaliado, todos os colégios estaduais parceiros da APG.Gov apresentaram evolução, com destaque para os anos finais do ensino fundamental, em relação a 2023, com a média passando de 5,2 para 5,6. Por exemplo, entre os maiores avanços estão o Colégio João Mazzarotto, que passou de 4,5 para 5,3, e o Colégio Tarsila do Amaral, de 5,2 para 5,9. No ensino médio, a maioria das escolas avançou na média de 4,7 para 5. Nas duas etapas, os resultados ficaram acima da média nacional e da meta histórica estabelecida pelo Inep.

Para Viviane Buch, diretora do Colégio Estadual João de Oliveira Franco, em Curitiba (PR), os resultados estão relacionados a uma mudança de abordagem pedagógica: além dos conteúdos tradicionais, os estudantes passaram a participar de experiências que fortalecem o senso de pertencimento, o pensamento crítico e a aplicação prática do conhecimento. “Com a entrada do parceiro, os diretores escolares, coordenadores e professores puderam voltar a dedicar 100% da atenção ao que realmente interessa: a aprendizagem efetiva e com propósito”, salienta.

Entre as ações desenvolvidas estão iniciativas que aproximam os estudantes da escola por meio de experiências pouco comuns no ensino tradicional. Uma aula de filosofia e oratória seguida de treino de artes marciais pode parecer improvável em uma escola pública. Mas essa combinação faz parte da rotina de mais de dois mil estudantes que já participaram da Escola de Heróis, projeto desenvolvido pelo Instituto Sócrates e que, há mais de 13 anos, reúne diálogos filosóficos, oratória e artes marciais para desenvolver competências como pensamento crítico, comunicação, disciplina, liderança, autocontrole e respeito ao próximo. Até julho de 2026, 700 estudantes dos colégios APG haviam se inscrito no projeto, que visa fortalecer o vínculo com a escola e incentivar o protagonismo dentro e fora da sala de aula.

Outra iniciativa incorporada à rotina das escolas é o Debatedores Nota 1.000, desenvolvido pela Uninter. No Colégio Estadual João de Oliveira Franco (JOF), em Curitiba, estudantes do ensino médio participam de encontros semanais e competições interescolares sobre temas da atualidade. A iniciativa fortalece competências como argumentação, pensamento crítico, escuta ativa, pesquisa e trabalho colaborativo, além de ter contribuído para a conquista de bolsas integrais de ensino superior, aprovações em universidades federais e melhoria no desempenho na redação do Enem.

Em 2025, o professor Eric Batista, que leciona inglês e português no JOF, acompanhou a transformação de João (nome fictício). O estudante trabalhava à noite e estudava pela manhã. Cansado, faltava com frequência e quase reprovou por faltas. “Os professores comemoravam quando recebiam um trabalho com seu nome. Para ele, a escola não fazia sentido. Queria apenas trabalhar”, relembra o educador.

A participação no Debatedores mudou esse cenário. “Agora ele sente que pode ser ouvido, discutir, falar e participar. Aquele aluno cansado e desmotivado deu lugar a um excelente debatedor, com confiança e discursos consistentes”, afirma Eric. João foi aprovado no 3º ano e conquistou uma bolsa integral da Uninter para o curso de Análise e Desenvolvimento de Software. “Mais do que o debate, a diferença foi ele se sentir parte da escola”, conclui.

“A escola precisa voltar a fazer sentido para o adolescente. Quando ele percebe que pode participar, criar, discutir problemas reais e desenvolver habilidades úteis para sua vida, o aprendizado deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser uma experiência significativa”, afirma o diretor-executivo da APG.Gov, Frederico Melo.

A inovação também ganhou espaço por meio de atividades voltadas à tecnologia. No Colégio Estadual Anita Canet, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, um projeto iniciado em 2024 transformou os drones em ferramentas de aprendizagem no contraturno escolar, aproximando os estudantes da programação, da robótica e de tecnologias emergentes. A iniciativa alia teoria e prática por meio de desafios e culmina no evento Hi-Tec Anita, que reúne alunos, professores e comunidade escolar em demonstrações e competições de pilotagem.

“Participar desse projeto tem sido uma experiência muito importante, porque aprendi muito mais do que apenas pilotar um drone. Desenvolvi responsabilidade, concentração, trabalho em equipe e noções de tecnologia que podem ser úteis tanto na vida escolar quanto no mercado de trabalho. Tenho muito orgulho de participar e espero que cada vez mais alunos tenham a oportunidade de viver essa experiência, aprendendo de forma prática, criativa e inovadora”, conta a estudante Jullya Alves, do 3º ano B.

“As aulas com drones tornam a aprendizagem mais prática, atrativa e conectada às novas tecnologias. Essa experiência aumenta o engajamento dos estudantes, desenvolve habilidades importantes para o futuro e contribui para a melhoria dos resultados de ensino e aprendizagem”, afirma o coordenador administrativo da empresa parceira que acompanha a iniciativa, Leandro Andrade.

Redação JBA Notícias

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