Reservas Particulares fortalecem a conservação da Mata Atlântica no Lagamar Paranaense

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Rio-Cambara
Rio-Cambara - Credito-Vitor-Pavan

A conservação da Mata Atlântica no litoral do Paraná acaba de ganhar um novo impulso. O projeto Reservas Particulares do Lagamar Paranaense, executado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, com financiamento do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP), iniciou sua terceira fase com metas ainda mais ambiciosas: ampliar a rede de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) na região do Lagamar Paranaense, fortalecer a gestão das áreas já existentes e incentivar novos proprietários de áreas naturais a se tornarem protagonistas da conservação da biodiversidade.

O avanço da iniciativa coincide com uma importante conquista: o reconhecimento oficial da RPPN Esperança, localizada no município de Morretes (PR). A nova Unidade de Conservação representa mais um passo para a formação de uma rede de áreas protegidas privadas em uma das regiões mais importantes para a conservação da Mata Atlântica brasileira.

Desde o início do projeto, em 2023, o Mater Natura vem apoiando proprietários rurais em todas as etapas de criação e implementação de RPPNs, desenvolvendo ações como elaboração de planos de manejo, inventários de fauna e flora, sinalização das áreas, implantação de estruturas de apoio ao uso público, pesquisa e fiscalização, além de assistência técnica para fortalecer a gestão dessas unidades. O trabalho já beneficiou as RPPNs Encantadas, Encontro das Águas e Graciosa, que hoje integram uma rede de reservas estratégicas para a conservação do Lagamar Paranaense.

Nova fase amplia a rede de áreas protegidas

A terceira fase do projeto prevê a criação de sete novas RPPNs no litoral do Paraná, além da mobilização de proprietários rurais interessados. A proposta busca ampliar a proteção de remanescentes de Mata Atlântica em propriedades privadas, contribuindo para a formação de corredores ecológicos, a conservação de recursos hídricos e a proteção de espécies ameaçadas.

As RPPNs são Unidades de Conservação criadas voluntariamente por proprietários rurais, que mantêm a posse de suas terras enquanto assumem o compromisso permanente de conservar seus atributos naturais. Esse modelo complementa as áreas protegidas públicas e desempenha papel fundamental na conectividade entre fragmentos florestais e na manutenção dos serviços ecossistêmicos.

RPPN Esperança reforça a conectividade da Mata Atlântica

Entre os resultados mais recentes do projeto está a criação da RPPN Esperança, reconhecida oficialmente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com cerca de 16 hectares, a nova reserva está localizada em Morretes, em uma região estratégica do Mosaico de Áreas Protegidas do Lagamar, ampliando a conectividade entre remanescentes florestais e fortalecendo a proteção da biodiversidade local.

O reconhecimento da reserva foi anunciado durante solenidade nacional realizada em Brasília, marcando mais uma conquista para a conservação privada no Paraná. A criação da RPPN é resultado do trabalho conjunto entre os proprietários da área, a equipe técnica do Mater Natura e o ICMBio, responsável pelo processo de reconhecimento das RPPNs federais.

Campanha busca novos proprietários interessados

Paralelamente à nova fase do projeto, o Mater Natura lançou uma campanha para identificar proprietários rurais interessados em transformar áreas naturais em RPPNs. A iniciativa oferece orientação técnica durante todo o processo de criação das reservas, desde a avaliação inicial da propriedade até o reconhecimento oficial e o apoio à implementação da unidade de conservação.

Podem participar proprietários de áreas localizadas nos municípios de Guaraqueçaba, Antonina, Morretes, Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba. A expectativa é ampliar a participação da iniciativa privada na conservação da Mata Atlântica e fortalecer uma rede de áreas protegidas capaz de contribuir para a conservação da biodiversidade e para a resiliência dos ecossistemas do Lagamar Paranaense.

A campanha também abrange RPPNs já existentes e que necessitam apoio para sua implementação.

Para saber mais, acesse o site da campanha: maternatura.org.br/reservas-particulares

O projeto Reservas Particulares do Lagamar Paranaense é financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná com recursos do Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Ministério Público Federal, Ministério  Público do Estado do Paraná e a Petrobras, sob interveniência do Fundo Brasileiro para a  Biodiversidade (FUNBIO) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no âmbito do processo de Cumprimento de Sentença nº 5001337- 92.2012.4.04.7008, provenientes das Ações Civis Públicas 0000041-91.2010.404.7008  (PR) e nº 200270080002601, movidas pelo IAP – Instituto Ambiental do Paraná e pelo  MPPR e MPF, respectivamente, em face de Petróleo Brasileiro S/A – Petrobras.

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Sobre o Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais
O Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua há mais de 40 anos na conservação da biodiversidade e na defesa do meio ambiente no Brasil. Desenvolve projetos voltados à proteção de ecossistemas, estudo e conservação de espécies raras e ameaçadas, educação ambiental, adaptação à mudança do clima e fortalecimento de políticas públicas ambientais, com base em evidências científicas e atuação em rede. Para mais informações acesse: maternatura.org.br

Sobre o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná

Criado em 2021, o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná promove a conservação, a pesquisa e o uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense. Financiado pelo Termo de Acordo Judicial (TAJ) firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, o Programa transformou um passivo ambiental em investimento histórico em conservação: serão mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas até 2031.

A governança do programa é compartilhada entre organizações da sociedade civil, instituições de ensino superior e órgãos governamentais. A gestão financeira e operacional do Programa é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Para saber mais, acesse www.biodiversidadelitoralpr.com.br.

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