Educação

Sem eletrônicos, Escola Verde transforma floresta em sala de aula e traz agenda ESG para o ensino

Três vezes por semana, os alunos do oitavo ano do Instituto Ouro Verde, em Nova Lima (MG), ficam das 7h30 até às 16h30 na escola. Além das aulas convencionais previstas na base curricular do Ministério da Educação, eles aprendem agroecologia, artes, teatro e fazem trabalhos com madeira em uma marcenaria, que fica no meio da floresta.

Os lanches e o almoço são cuidadosamente preparados com alimentos naturais, uma boa parte deles cultivada pelos próprios alunos, como é o caso das hortaliças. E os resíduos são reaproveitados, transformando-se em adubos naturais para as plantações da própria escola ou em produtos alternativos: um exemplo é a oficina que utiliza restos de óleo de cozinha para fazer sabão ecológico, inclusive com coleta de óleo junto às famílias e a comunidade.

“Somos uma escola que busca celebrar e respeitar a vida em toda a sua diversidade. A vida presente nas pessoas, nas águas, nas plantas, nos animais, nos alimentos e em tudo que nos cerca. O cuidado com a terra e a gestão participativa são importantes pilares que sustentam nosso modelo de ensino e atuação social”, resume a diretora Thaís Franzoni Segundo ela, o objetivo é proporcionar aos alunos vivências que irão atuar no pensamento, na sensibilidade e na capacidade de agir no mundo.

Cada turma tem um carga horária específica de acordo com as diretrizes da pedagogia. Porém, para os alunos do oitavo ano ou de qualquer outra série, o uso do celular é proibido durante o período em que estão na escola. Os eletrônicos dão lugar a uma experiência prática e sensorial: aulas de agroecologia no meio da floresta, que ensinam a cuidar da terra, a plantar e, depois, a colher e a preparar os alimentos.

A produtora de conteúdo Fernanda Dias se diz encantada com a proposta do Ouro Verde. Ela é mãe de D.R.R, que entrou na escola este ano para cursar o oitavo ano, e conta que resolveu buscar outro modelo de ensino após experiências difíceis no pós-pandemia em colégios tradicionais de Belo Horizonte.

A educação alimentar é um dos três pilares da Escola Verde, ao lado da agroecologia e da gestão de resíduos. Dessa forma, é um modelo de ensino completamente inserido no conceito da economia circular e da sustentabilidade que se tornou uma tendência sem volta no mundo contemporâneo.

A valorização das diferenças, do trabalho em equipe e a transparência com a gestão completam o modelo naturalmente alinhado à agenda ESG – sigla em inglês que significa environmental, social and governance – e corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização comprometida com a construção de um mundo melhor.

“Entendemos que cada ser humano tem suas próprias características que precisam ser levadas em conta no processo de aprendizado”, afirma a diretora Thaís Franzoni.

Um pouco da nossa história

Em 2013, um grupo de pais e professores se uniu para criar uma instituição de ensino que oferecesse uma formação integral para crianças e jovens, guiada pelo respeito à vida em suas diferentes manifestações.

Assim nasceu o Instituto Educacional Ouro Verde, do desejo de ampliar os olhares e de fazer florescer uma forma diferente de educar e de viver.

Hoje, o Ouro Verde é uma escola de Educação Infantil e Fundamental orientada pela Pedagogia Waldorf, aliada aos princípios de uma Escola Verde, isto é, ancorada em práticas ecológicas e comprometida com a formação de uma comunidade sustentável.

Nosso trabalho é criar um ambiente favorável para o desenvolvimento dessas faculdades e permitir que cada um realize essa tarefa à sua maneira.

A escolha da localização junto à mata se fez por acreditar em uma proposta de educação que ultrapasse os limites da sala de aula: a floresta, o riacho, a terra, os astros, a comunidade e todas as manifestações de vida ao redor são espaços de aprendizagem.

Redação JBA Notícias

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