Crédito das fotos: Roberto Souza
No próximo fim de semana, a Open – grupo de natação em águas abertas – traz a Curitiba (PR) a ultramaratonista aquática Thais Sant´Ana, especialista em provas de longa distância. A atleta irá participar de um bate-papo sobre a travessia do Canal da Mancha e Volta à Ilha de Manhattan na sexta-feira (27), às 19h30, na Prestinaria do São Lourenço. No sábado (28), às 8h, ela irá conduzir a clínica – oficina técnica intensiva de natação – na represa do Passaúna.
A nadadora, que começou na natação aos cinco anos de idade, se destaca por ser a primeira mulher capixaba e a 10a brasileira a atravessar o Canal da Mancha (2024, 11h03min) e a concluir a volta à Ilha de Manhattan, em Nova York (2025, 47 km em 8h25min).
Segundo a atleta, a proposta da oficina no Passaúna é orientar nadadores com diferentes níveis de experiência em travessias. “A gente vai praticar ao vivo fundamentos importantes da natação em águas abertas, como largada, chegada, contorno de boias, navegação e economia de energia. É muito agregador participar desse tipo de clínica, porque sempre existe troca e aprendizado”, afirma.
De acordo com a ultramaratonista, que é profissional de Educação Física e especialista em biomecânica, a natação em águas abertas tem atraído cada vez mais praticantes, por ser um esporte democrático e que promove uma vivência que vai além do exercício físico. “Além do desafio esportivo, envolve a natureza e também a família. É um esporte que exige dedicação, mas a recompensa é poder viver aquilo para o qual você treinou tanto”, diz.
Lançada em 2025, a Open tem o propósito de integrar nadadores com diferentes níveis de experiência em uma comunidade de apaixonados por natação em águas abertas. Além das oficinas com a equipe de nadadores do grupo, a proposta é também promover clínicas com nadadores renomados. Já no lançamento, em outubro do ano passado, a Open promoveu palestra e clínica de natação com a maratonista aquática brasileira e medalhista olímpica, Poliana Okimoto.
Da transição da piscina para águas abertas aos desafios das travessias
Responsável técnico da Open, o triatleta e treinador Mauricio Letzow explica que um dos objetivos do grupo é orientar a transição da piscina para a natação em ambientes naturais. “Nosso objetivo é oportunizar que as pessoas experimentem a natação em águas abertas de forma orientada e segura. Quem treina só em piscina encontra um ambiente controlado; já em águas abertas, o nadador se depara com uma imensidão, sem referência visual, o que exige adaptação”, explica.
O treinador reforça que a prática em águas abertas exige cuidados específicos, principalmente para quem está começando. Ele orienta que o nadador nunca pratique sozinho em mares, lagos e represas e priorize treinos em grupo, com supervisão de profissionais experientes e apoio de embarcações como caiaque, prancha ou stand up paddle. Outro item essencial é o uso da boia de sinalização presa à cintura, que permite a visualização do nadador e pode servir de apoio em caso de cansaço ou desconforto. “Também é importante que a pessoa já saiba nadar em piscina, tenha o mínimo de técnica e consiga dar algumas braçadas antes de migrar para as águas abertas. Nos treinos, a gente faz a ambientação, não o ensino do nado”, esclarece.
A professora de natação e empresária Vivian Yabu, de União da Vitória, participou do primeiro encontro da Open em 2026, em janeiro, e pretende repetir a experiência. “Foi espetacular. A equipe foi muito acolhedora e receptiva; os professores acompanharam o tempo todo e a estrutura é impecável, com segurança, apoio e organização. Mas o que mais me chamou atenção foi o propósito do grupo. Quero participar de outros encontros sempre que for possível e já estou indicando para muita gente”, relata.
Além da orientação a nadadores com pouca experiência em águas abertas, o grupo também pretende auxiliar os dispostos a enfrentar desafios como travessias e maratonas aquáticas. “O calendário nacional e internacional de provas é cada vez maior e o número de participantes também. A natação em águas abertas é uma tendência mundial, em função da busca por atividades ao ar livre que desafiam e proporcionam bem-estar e que são transformadoras para quem vive a experiência”, completa.
As oficinas de verão da Open estão preparando atletas que pretendem participar do Ironman 70.3 Curitiba, no dia 8 de março. A prova de triathlon terá 1,9 km de natação na Represa do Passaúna, 90,1 km de ciclismo e 21,1km de corrida. A etapa em Curitiba é parte de um circuito mundial com mais de 100 provas pelo mundo, em todos os continentes. “É importante que o atleta não vá direto para a prova sem vivenciar o ambiente natural. O espaço da Open fica no mesmo cenário da prova de natação. Treinar no local da competição ajuda na ambientação e na compreensão das adversidades, como vento, marola e correnteza”, explica Letzow.
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