O Brasil ocupa a oitava posição no ranking de países que mais enviam jovens com potencial científico para o exterior. O dado é do relatório Open Doors 2022, do Instituto de Educação Internacional, dos Estados Unidos, que revelou que quase 15 mil estudantes de graduação brasileiros estavam em instituições de ensino superior norte-americanas em 2021 e 2022.
Para reduzir esses números, manter os talentos no Brasil e valorizar os estudantes que se destacam na produção científica, algumas instituições de ensino superior criaram as chamadas “vagas olímpicas”. É um método de ingresso em instituições públicas, ainda pouco conhecido pela maioria dos estudantes, no qual podem concorrer os candidatos que conquistaram medalhas em olimpíadas científicas nacionais e/ou internacionais, ao longo do Ensino Fundamental e Médio. As inscrições ficam abertas durante os meses de dezembro e janeiro, por isso, para quem tem interesse, ainda dá tempo de participar.
As olimpíadas científicas são abertas a escolas das redes pública e privada. São competições que envolvem temas específicos para estimular a resolução de problemas práticos e teóricos. Alguns exemplos nacionais desse tipo de competição são as Olímpiadas de Matemática, de Educação Financeira, de Física, de Química, de Robótica, de História e Linguística, de Astronomia, entre outras.
A concorrência para as vagas olímpicas pode ser acessada nos editais publicados nos sites de universidades públicas (estaduais e federais) nos quais é possível verificar as modalidades olímpicas contempladas e o número de vagas disponíveis para os candidatos medalhistas. Algumas regras da seleção podem variar de acordo com o edital de cada instituição, mas normalmente a disputa das vagas é feita pela pontuação que se baseia nas medalhas conquistadas pelos candidatos. Também é exigida a comprovação da participação na olimpíada em questão, normalmente com algum documento do colégio, como o histórico escolar
.Alunos do Colégio Bom Jesus (com unidades em cinco estados brasileiros), por exemplo, conquistaram ao longo do ano de 2023 cerca de 300 medalhas sendo elas de ouro, prata e bronze, em competições diversas, como olimpíadas nacionais de Química, de Ciências, de Geografia, de Educação Financeira, de Astronomia e Astronáutica, entre outras. O coordenador do programa de Iniciação Científica e de Olimpíadas do Colégio Bom Jesus, Adalberto Scortegagna, avalia que universidades brasileiras estão se adaptando de forma gradual a uma realidade comum em países desenvolvidos: a valorização da iniciação científica e das olimpíadas. “Isso faz toda a diferença para a academia e para a produção científica do país, que hoje é muito pequena”, conta. Scortegagna diz que mais instituições deveriam avaliar a abertura desse tipo de seleção em seus vestibulares. “Ao abrir vagas para ingresso de alunos com excelente desempenho nas olimpíadas, as universidades brasileiras têm a oportunidade de receber alunos brilhantes e que certamente farão diferença durante a trajetória acadêmica. Dessa forma evita-se, pelo menos em parte, a famosa ‘fuga de cérebros’, tão prejudicial para o país”, afirma o professor Adalberto.
O Colégio Bom Jesus em Blumenau (SC) foi uma das unidades que se destacaram nas olimpíadas científicas de 2023 dentro do Grupo Educacional Bom Jesus: foram mais de 50 medalhas. Outras unidades do Bom Jesus em Santa Catarina também tiveram destaque, como as localizadas em Palhoça, Itajaí, Caçador, Brusque, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Florianópolis e Lages.
No Paraná, as unidades Bom Jesus Água Verde, Nossa Senhora de Lourdes, Centro, Divina Providência, Aldeia (no município de Campo Largo), Seminário, Colombo, Araucária, São José dos Pinhais, Paranaguá, Rio Negro e Rolândia, além do Sesc São José, conquistaram mais de 70 medalhas. Houve ainda medalhistas nas unidades do Bom Jesus localizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, alunos das unidades Bom Jesus de Arroio do Meio, Lagoa Vermelha, Venâncio Aires e Rio Grande também foram medalhistas.
Algumas instituições brasileiras que têm vagas olímpicas são a Unicamp, a USP, o Instituto Federal do Sul de Minas Gerais e a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.



