Violência nas eleições e debate presidencial repercutem na Câmara de Curitiba

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Vereadora Indiara denuncia vandalismo contra a sede do Partido Liberalfoto carlos costa-CMC

A reta final da campanha para o segundo turno das Eleições 2026 voltou a movimentar as discussões na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) durante a sessão plenária desta segunda-feira (19). Na tribuna, parlamentares abordaram registros de episódios considerados violentos cometidos por apoiadores de ambas as candidaturas presidenciais e repercutiram o desempenho dos candidatos no debate transmitido pela TV Bandeirantes na noite de domingo (18).

O primeiro pronunciamento foi do vereador Matteus Henrique (PT), que apresentou no telão do plenário imagens de uma agressão registrada no Centro de Curitiba, no sábado (17), durante uma manifestação de apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL). No vídeo trazido pelo parlamentar, um grupo cerca um veículo que transitava pela via e, após chutes no carro e xingamentos, um homem quebra o vidro traseiro do automóvel. Segundo Matteus Henrique, quem praticou o ato foi o vereador Denys Moraes (PRD), do município de Almirante Tamandaré.

“A gente não pode aceitar que a política vire esse campo de violência, principalmente no espaço do Legislativo, que é por excelência o espaço do diálogo. Nós precisávamos dar o exemplo para toda a sociedade de Curitiba, do Paraná e do país todo”, declarou Matteus Henrique, ressaltando que a assessoria jurídica do partido ingressou com uma representação criminal e um pedido de cassação do mandato de Denys Moraes na Câmara da cidade vizinha.

“Eu tenho certeza que esse é um projeto de violência, é um projeto de morte, que nós temos visto aumentar cada vez mais e que surgiu a partir da ascensão da extrema direita no nosso país”, apontou o parlamentar, que colocou seu mandato à disposição de qualquer pessoa vítima de violência política.

Manifestações de rua e atos de vandalismo em prédios e espaços públicos

Em resposta às críticas, a vereadora Indiara Barbosa (Novo) lamentou o episódio citado por Matteus Henrique, classificando a atitude do vereador de Almirante Tamandaré como inaceitável. Contudo, a parlamentar exibiu registros em vídeo que apontam atos de vandalismo praticados na capital, atribuídos por ela a apoiadores da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com as imagens apresentadas, a sede regional do Partido Liberal (PL), em Curitiba, teve o portão invadido e a fachada coberta por adesivos partidários.

“Essa situação que aconteceu com o vereador de Almirante Tamandaré tem o nosso repúdio, é um absurdo e tem que ter punição. Mas no domingo nós tivemos uma manifestação do PT e vimos vandalismo pelas ruas de Curitiba. Pessoas invadiram propriedade privada para vandalizar a sede do PL. Eu quero ver os vereadores da esquerda virem aqui e se posicionarem contra isso e repudiarem também o que estão fazendo”, rebateu a vereadora, que também destacou a adesão popular à carreata em apoio a Flávio Bolsonaro realizada no sábado (17).

Transparência, sigilo de dados e o debate na TV

O confronto entre os candidatos na televisão também foi tema dos discursos no Grande Expediente. Indiara Barbosa criticou o posicionamento da candidatura governista em relação à transparência pública, argumentando que a atual gestão federal impôs novos sigilos sobre despesas governamentais, como o uso do cartão corporativo da Presidência e registros de passageiros em aeronaves a serviço de órgãos oficiais.

“Ele foi no último debate justamente falando que ia acabar com o sigilo que o presidente anterior colocou, mas ele, ao invés de acabar, aumentou. Ele já gastou mais de R$ 55 milhões do nosso dinheiro no cartão de crédito e colocou tudo isso sob sigilo por 100 anos. Quem quer mudança, quem não aguenta mais essa mentirada que a gente tá vendo, que a gente viu ontem no debate, tem que comparecer às urnas e participar dessas eleições”, emendou a vereadora.

Por sua vez, a vereadora Vanda de Assis (PT) cobrou postura idêntica em relação à transparência dos dados bancários e patrimoniais da família do candidato de oposição, afirmando que a transparência é o pilar fundamental para coibir desvios de recursos públicos. Referindo-se à proposta apresentada no debate televisivo para que ambos os candidatos abram mão de seus sigilos bancário e telefônico, a parlamentar declarou: “Vamos ver se a população brasileira vai gostar de saber de onde vieram os R$ 10 milhões que compraram a mansão”, comentou, dirigindo-se a Flávio Bolsonaro.Vanda de Assis também pediu que o plenário se posicione institucionalmente contra o clima de intolerância nas ruas e defendeu a preservação da soberania nacional sobre as riquezas naturais do país, afirmando que o papel do Poder Legislativo é “defender a democracia e garantir que o Estado atue em favor da classe trabalhadora”. Para a vereadora do PT, o Estado precisa servir aos trabalhadores, “e não aos banqueiros, e não para o entreguismo, e não aos grandes empresários que em tudo veem lucro”, conclui.

Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba

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