Paraná

Segmento de brechós cresceu em 2024, no Paraná

O segmento de brechós no Paraná reflete uma tendência de comportamento dos consumidores e mostrando mais uma oportunidade para empreender, segundo levantamento do Sebrae/PR. Entre os dados de destaque, houve um aumento de 132 empresas em 2024, superando a média anual de 90 registros nos últimos cinco anos.

Maisa Silvestre, consultora do Sebrae/PR, explica que isso é reflexo da mudança de comportamento da nova geração, mais atenta a questões como sustentabilidade, economia, reutilização e uso consciente.

“As gerações mais novas são as que mais se preocupam com consumo consciente e buscam entender a origem daquilo que compram. Além disso, novos brechós surgem porque o interesse por eles tem aumentado, criando oportunidades de negócios em função dessa demanda crescente”, explica.

Curitiba, Foz do Iguaçu e Londrina lideram entre as cidades com maior número de brechós no estado, um reflexo de aspectos culturais e socioeconômicos locais, que incentivam o consumo consciente​.

“Percebemos comportamentos como a cultura de sustentabilidade, de educação e conscientização sobre consumo responsável, já que os três municípios trabalham fortemente pautas como cidades inteligentes e sustentáveis. Por exemplo, o turismo em Foz do Iguaçu atrai visitantes do mundo inteiro e, lá fora, o consumo em brechó já acontece há muito tempo. Tudo isso gera um ambiente favorável para que os brechós se desenvolvam, ao passo que fomentam a redução do consumo excessivo”, enumera a consultora.

Inspiração e oportunidade 

Em 2015, Mariza Rezende, que sempre foi consumidora de brechós, deu o primeiro passo em sua trajetória empreendedora. Inspirada pela cultura norte-americana, ela começou fazendo bazar de garagem na sua própria casa, em Maringá.

“Estive nos Estados Unidos em 2014 e vi o mercado de segunda mão muito consolidado por lá. Quando voltei para o Brasil, percebi que havia oportunidade de fazer aqui também, inicialmente do meu jeito”, diz.

Foi com a ajuda de um amigo que, em 2017, ela formalizou a empresa Dig For Fashion, hoje a maior rede de brechós do País que conta com 17 lojas, dois centros de distribuição e mais de 300 funcionários.

“No começo, tivemos que lidar com a mentalidade do consumidor, que tinha certo preconceito com peças usadas. Hoje, nosso desafio é gerenciar toda a nossa estrutura, otimizar processos e manter a qualidade”, afirma.

Já no centro de Guarapuava, na Saldanha Marinho, um brechó diferente chama atenção pelo cuidado em cada detalhe. À frente do empreendimento está Tânia Guimarães que, em 2022, decidiu transformar sua paixão por moda em um negócio que hoje é fonte de renda e realização pessoal.

Tânia conta que sempre foi apaixonada por moda e garimpo de peças únicas. Formada em moda desde 2018, sua realidade financeira dificultava a abertura de um brechó físico. Durante anos, sua paixão era alimentada de forma simples: comprava, revendia e compartilhava peças com amigas e parentes.

“Sempre gostei de achar peças diferentes, algo com história. É onde realmente me encontro”, relembra.

Em Guarapuava, a empreendedora Tânia aposta em peças com história. Foto: acervo pessoal.

O desejo de empreender amadureceu, e Tânia decidiu deixar a estabilidade do emprego CLT para investir no segmento. Deu início em um pequeno espaço, enfrentando desafios típicos, como o preconceito que ainda cerca os brechós.

“As pessoas muitas vezes confundem brechó com bazar. Um brechó é diferente, pois fazemos uma curadoria cuidadosa, higienizamos as peças e oferecemos algo especial”, explica.

Mesmo com as dificuldades iniciais, ela afirma que o negócio prosperou. O pequeno espaço deu lugar a uma loja maior e, posteriormente, a um ponto ainda mais centralizado, garantindo maior visibilidade e conquistando uma clientela fiel. Hoje, o brechó conta com três funcionárias, com planos de expandir para moda masculina e infantil.

Sustentabilidade e economia

A crescente demanda por produtos sustentáveis, aliada à preocupação com a acessibilidade, tem sido decisiva para o sucesso dos brechós.

“Seja pela responsabilidade socioambiental ou pelo impacto da crise econômica, o consumo consciente transformou os brechós em uma solução prática e viável para muitas pessoas”, analisa Maisa Silvestre.

Para quem pensa em investir, os brechós oferecem uma opção de negócio com baixo custo inicial e grande potencial de crescimento. Maisa recomenda que empreendedores busquem apoio profissional e formem redes locais para melhorar o processo de higienização, personalização e marketing das peças.

“Não faça tudo sozinho. Envolver profissionais qualificados pode fazer a diferença no resultado do negócio”, orienta.

Outros dados 

Segundo o levantamento do Sebrae/PR, entre 2014 e 2024, houve um aumento de mais de 87% no número de aberturas de empresas ligadas ao segmento de brechós. Já em relação à taxa de aberturas, por exemplo, o comparativo mostra um aumento de 88% no mesmo período.

Já em relação às cidades que mais têm este tipo de modelo de negócio em funcionamento, além das três primeiras colocadas (Curitiba, Foz do Iguaçu e Londrina, em ordem), municípios menores também fazem parte da lista, tais como Colombo, Araucária, Pinhais, Piraquara e Apucarana.

Redação JBA Notícias

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