Foto de Gustavo Figueiroa – Instituto Libio
A situação é agravada pela atuação de influenciadores digitais que, ao exibirem animais silvestres como pets em suas redes sociais, contribuem para a normalização e incentivo dessa prática ilegal.
Um exemplo emblemático é o caso da modelo Nicole Bahls, que teve dois macacos-prego, Davi e Mical, apreendidos pela Polícia Federal e pelo Ibama em janeiro de 2023.
Os animais foram adquiridos com documentação falsificada, e a apreensão deu início à Operação Defaunação, que resultou na prisão de três pessoas envolvidas em um esquema de tráfico de animais silvestres.
Outro caso que ganhou destaque foi o do influenciador Agenor Tupinambá, conhecido por compartilhar sua rotina com a capivara Filó nas redes sociais.
Apesar de alegar que o animal vivia em seu habitat natural, Tupinambá foi multado pelo Ibama por manter um animal silvestre sem autorização e por exploração indevida.
Após a apreensão, os macacos Davi e Mical foram encaminhados ao Instituto Libio, localizado no interior de São Paulo. A instituição, em parceria com o Ibama, realiza um trabalho exemplar na conservação da fauna brasileira, acolhendo e cuidando de animais silvestres vítimas do tráfico e maus-tratos.
A presidente do Instituto Libio, Raquel Machado, destacou: “Davi e Mical chegaram ao Instituto em estado de alerta e desconfiança, características comuns em animais que passaram por situações traumáticas. Nosso compromisso é proporcionar a eles uma vida digna, mesmo que em cativeiro, já que a reintrodução na natureza exige cuidados e investimentos significativos.”
O Instituto Libio também desenvolve ações de educação ambiental, promovendo a conscientização sobre a importância da vida silvestre e o respeito a cada ser vivo. A instituição administra reservas privadas no Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pará, visando à conservação da fauna brasileira e de seus habitats.
É fundamental que a sociedade compreenda que animais silvestres não são pets e que sua posse ilegal contribui para a destruição de ecossistemas inteiros. A atuação de influenciadores digitais nesse contexto é preocupante, pois, ao exibirem esses animais como companheiros domésticos, acabam incentivando práticas ilegais e prejudiciais à biodiversidade.
O combate ao tráfico de animais silvestres exige a colaboração de todos: autoridades, instituições de conservação, influenciadores e cidadãos. Somente com ações coordenadas e conscientização coletiva será possível preservar a rica fauna brasileira para as futuras gerações.
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