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Aos “pais de boleto”!

É preciso preencher um vazio, um vazio da invisibilidade daqueles que fazem um voo solo na criação dos filhos, seja por um divórcio, pela guarda compartilhada ou pelos desvios da vida de quando ausência da mãe é permanente e irreversível. O vazio da percepção de que o Pai é um abnegado invisível na criação dos filhos.

Os tempos mudaram, e é preciso perceber que os pais têm sido ativos na educação dos filhos, não somente no lado financeiro, mas na educação e entrega afetiva aos filhos, nos momentos necessários do sim e do não.

O argumento de que a imagem do pai ausente é fruto de um passado onde a criação dos filhos restava aos cuidados da mãe e que o pai era o responsável por “colocar comida na mesa”, não tendo responsabilidades que ultrapassassem a mera contribuição financeira, recaindo toda a educação e afetividade à mãe é historicamente justo, mas não cabe mais na realidade da nova paternidade. Não é negar o passado, mas sim entender o presente, perceber como o homem aprendeu com a ausência e mudou completamente a sua relação na criação dos filhos, e não só o pai solo, mas sim a instituição paternidade.

Há de se perceber o recado que situações corriqueiras passam, o recado de que erros do passado ainda nos assombram, da, muitas vezes não intencional, marginalidade do pai que cria e não só paga boletos, a mensagem que um pai recebe quando os e-mails sobre a situação dos filhos na escola são encaminhados somente às mães, quando ao ir a um restaurante só existem trocadores de fralda em banheiros femininos, quando perante a justiça pressupõe-se que o pai precisa provar a sua afetividade de forma mais assertiva e contundente, quando este é referido como genitor, como se a função que a ele coube-se fosse somente gerar a vida e ponto final, quando há o óbvio preconceito de pais que requerem licença paternidade estendida, o impacto de um pai ao saber que nos corredores das varas de família são chamados de “pais de boletos”, como se esta fosse sua única responsabilidade, a mensagem do fato de que as cadeias masculinas estão lotadas de pais que não conseguem pagar pensão, não porque não querem, mas porque não conseguem e não têm suas revisionais analisadas por um judiciário claudicante e muitas vezes ativista.

Este artigo não trata de desconsiderar a importância da mãe, que é inegável, necessária e emocionalmente fundamental, mas sim de mostrar o preço que pais solo pagam por um passado que não existe mais, por uma substrato social que não evoluiu no mesmo ritmo da afetividade paterna, trata de evidenciar a resiliência daqueles que JAMAIS imputam a invisibilidade social paterna a um “feminismo tóxico” ou a uma estrutura opressora do matriarcado, mas ao simples fato que ainda paga-se um preço amargo por um passado de ausência que está sendo superado com amor, carinho, boletos e muita paternidade.

Redação JBA Notícias

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